10 fatos importantes sobre o cinema nacional
12.04.2012
Juliana Cruz
BLOG |
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Não
consigo entender como o país de maior
referência de produção
e consumo de novelas no mundo tenha tamanha
resistência para com o cinema nacional.
Para aqueles que já pensaram em criticar,
espere: estou levantando aqui linguagem dentro
de narrativa audiovisual, roteiro, criação
de personagens e desenvolvimentos de histórias
que nos fazem acompanhar algo – seja
por uma hora e meia, seja por oito meses.
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Pensando
nisso e, aproveitando a oportunidade aqui, decidi
levantar dez motivos para disseminar e esclarecer,
na medida do possível, esse preconceito em
relação ao nosso cinema. Porque preconceito
nada mais é do que falta de informação.
Confira
então 10 entre os muitos fatos relevantes
sobre o cinema Brasileiro:
1.
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O
item mais comum é o péssimo
hábito de classificar filmes feitos
por aqui como simplesmente nacionais. Nacional
não é gênero! Por acaso,
quando alguém te pergunta que tipo
de filme é Atividade Paranormal,
você responde: americano? Não,
você diz terror!
Então
porque quando o filme é feito no Brasil
existe esse terrível costume de usar
a nacionalidade para defini-lo?
Amarelo
Manga é um drama, Se
eu Fosse Você, comédia,
e por aí vai. |
2.
Muita
gente ainda diz não gostar de produções
nacionais porque são ‘mal feitas’
ou ‘baixaria’. Isso era aplicável
no início do século passado quando
o cinema brasileiro nasceu e só havia orçamento
pra se fazer chanchadas, que nada mais são
do que comédias, com certo apelo erótico,
de baixo custo (não confunda com pornochanchada).
Dercy Gonçalves esteve em
boa parte deles, inclusive.
3.
O Cinema Novo foi um movimento nacional que mudou
a cena cinematográfica em todo o mundo. Diretores
brasileiros foram premiados no pomposo festival
de Cannes, como Nelson Pereira dos Santos,
com Vidas Secas; e Glauber
Rocha com Terra em Transe
e O Dragão da Maldade contra o Santo
Guerreiro, por exemplo.
4.
O
Brasil só ganhou o Oscar de Melhor Filme
Estrangeiro uma vez, em 1960, pelo filme Orfeu
Negro, de Marcel Camus;
em 1962 o país recebeu sua segunda indicação,
por O Pagador de Promessas,
de Anselmo Duarte; as outras
indicações vieram com
O Quatrilho, em 1995; O Que
é Isso Companheiro?, 1997; e
Central do Brasil, em 1998.
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5.
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Depois
de ganhar notoriedade internacional por meio
de festivais estrangeiros, os filmes feitos
aqui passaram a influenciar o trabalho de
diretores que você com certeza já
ouviu falar.
Sabe
Os Infiltrados? E
A Ilha do Medo? Cabo do Medo?
Touro Indomável?
Então,
são do aclamado Scorsese.
Esse diretor é fã assumido de
Glauber Rocha e já disse em
várias entrevistas que o trabalho do
cineasta brasileiro o influencia até
hoje.
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6.
Sabe por que o hábito de ir aos cinemas de
rua meio que morreu por aqui? A famigerada pornochanchada
surgiu em 1970 e desde então dominou os circuitos
de exibição do país, que eram
primordialmente de rua. Quando Collor abriu
as pernas do país para empresas estrangeiras,
grandes redes como Cinemark e UCI
se instalaram nos shoppings do país
e dominaram a mente dos expectadores, cujos pais
traziam consigo a cultura de que filme que passa
em cinema de rua é pornô. Uma pena
pelo Cine Marabá, Espaço
Unibanco e o extinto Cine Belas
Artes, aqui de Sâo Paulo, entre centenas
de outros espalhados pelo Brasil.
7.
Os
primeiros filmes brasileiros foram rodados entre
1897-1898. Uma "Vista da baia da Guanabara"
teria sido filmado pelo cinegrafista italiano Afonso
Segreto, em 19 de junho de 1898, ao chegar
da Europa a bordo do navio Brèsil. No entanto,
este filme, se realmente existiu, nunca chegou a
ser exibido e sua existência só é
provada por uma nota num jornal carioca da época.
8.
Quando
Glauber Rocha lançou o filme
Deus e o Diabo na Terra do Sol, em 1964,
alguns críticos tiveram o dom de dizer que
o cara não sabia filmar por deixar a luz
estourar em quase todas as cenas e, em outras, permitir
que a escuridão dominasse. Alguém
aqui já esteve sob um Sol escaldante, naqueles
dias em que não há nuvens no céu
e seus óculos escuros ficaram em casa? Então,
a idéia era recriar essa experiência.
Tal como a escuridão absoluta em cenas noturnas
(ou você acha que no sertão tem poste
de luz?). Vale lembrar que esse estilo de luz foi
aclamado pela crítica estrangeira por ser
peculiar à cena cinematográfica brasileira
e passou a ser usada por muitos diretores daqui
e de fora depois disso.
9.
Alguns
artistas brasileiros têm ganhado reconhecimento
internacional, provando a qualidade de nossas
atuações.
É
o caso de Sônia Braga,
que está no cinema norte-americano
desde 1988 até hoje; Rodrigo
Santoro, que começou com uma
ponta muda em Panteras e
depois interpretou o Rei Xerxes, em 300
de Esparta; Alice Braga,
que teve papel de destaque em Ensaio
Sobre a Cegueira, Predadores
3 e Eu Sou a Lenda;
e Wagner Moura que foi CONVIDADO
a interpretar o vilão de Elysium,
próximo filme de Neill Blomkamp,
diretor de Distrito 9, com
estreia programada para 2012.
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10.
A maior bilheteria de filme nacional até
o momento foi de Tropa de Elite 2,
que só perdeu o primeiro lugar nas bilheterias
brasileiras em 2010 pro megalomaníaco
Avatar. O filme brasileiro teve o maior
público entre os filmes nacionais da história,
com 11.002.441 pagantes e arrecadou R$ 102.188,333.
Ele, inclusive, representou o Brasil no Oscar de
2012