É bastante difícil encontrar um filme de terror que consiga conciliar personagens bem criados e realistas, clichês do genêro e o terror propriamente dito. E quando um desses filmes consegue, automaticamente se transforma em um clássico do gênero. Fugindo das bobas produções hollywoodianas, que sempre apostam na morena inteligente que se salva, no homem que a ajuda e na loira burra que sempre morre, este britânico 'O Abismo do Medo' cumpre todas as suas tarefas. 
Explorando todos os personagens no início da trama, conseguimos nos apegar à produção. Durante metade da produção, Neil Marshall trabalha em cada uma das personalidades das atrizes principais, criando assim uma empatia do espectador com as personagens. Afinal, é muito mais doloroso (ou divertido?) assistir alguém que você conhece (mesmo que nas telonas) morrer. E é aí que o filme deslancha. Numa viagem dedicada ao esporte e aventura, seis garotas ficam presas em uma caverna depois que uma rocha se desprendeu e bloqueou a saída. Enquanto buscam uma forma de escapar, se vêem perseguidas por estranhas presenças que habitam a escuridão; a tensão causada pela situação que enfrentam faz renascer antigas diferenças entre as mulheres, deixando-as umas contra as outras. 
Depois da metade do filme, em que o diretor detalha toda a história, somos apresentados ao terror. Não um terror banal, mas sim chocante, claustrofóbico. Marshall renova os clichês tão conhecidos nos filme de terror dos anos 80 com maestria e criatividade, como banhos de sangue, medo de escuro e claustrofobia. Uma obra-prima do medo. |