Sinopse: Harry Caine é um escritor cego cujo assistente está debilitado. Enquanto faz uma visita ao jovem, Harry reconta como era sua vida antes de perder a visão, quando era diretor de cinema.

Em Abraços Partidos (Los abrazos rotos), o diretor espanhol Pedro Almodóvar (Volver) mostra-se cinematograficamente em forma. Diversas cenas plasticamente bem concebidas atestam porque ele ainda conta com uma legião de fãs e é elogiado por seu talento. Destaque para os tons de vermelho em vários elementos.
Para quem é familiarizado com sua filmografia, há diversas autorreferências nessa nova produção. Começando pelo elenco, com rostos familiares de seus outros filmes, há até a repetição de alguns objetos de cena de fitas anteriores. Vale conferir uma auto-homenagem: o filme dentro do filme, chamado Garotas e Malas, é uma clara alusão a Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988).

Por outro lado, quem é apenas mais um amante da sétima arte também tem motivos para assistir a Abraços Partidos. Além da ótima direção de arte antiquada do filme dentro do filme, Almodóvar usa e abusa de Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona), sua musa. Em uma ótima cena, ela experimenta alguns figurinos e faz homenagem a Marilyn Monroe e Audrey Hepburn.
O roteiro é cheio de mistério e altamente psicológico, sem com isso ser tedioso. A razão da agilidade na dramaturgia está em algumas piadas bem colocadas e personagens muito interessantes.

Com Abraços Partidos percebe-se que esse grande nome do cinema ainda tem muito a nos oferecer.