Blockbuster gigantesco na Europa, continuação de um dos maiores sucessos franceses de 1999, e o maior orçamento já investido numa produção na terra de Napoleão, o superlativo "Asterix e Obelix: Missão Cleópatra" chega ao Brasil no momento em que o cinema da França se especializa em produções grandiosas e claramente influenciadas por Hollywood, a fábrica de filmes facilmente consumíves e esquecíveis. Nem sempre com bons resultados, o cinema-pipoca francês se consolida agora como o segundo maior do mundo. Alguns acertos (como a própria série de "Asterix & Obelix", e alguns filmes de Luc Besson) e alguns erros ("Pacto dos Lobos" e "Amélie"- este último vendido erroneamente como "filme-cabeça"), sempre com grandes bilheterias, traçaram este caminho. O estigma de que cinema francês é sinônimo de filme chato e arrastado já foi esquecido há algum tempo, graças à esses e outros arrasa-quarteirões. Este "Asterix e Obelix: Missão Cleópatra" é a prova definitiva de que os europeus também conseguem fazer filmes divertidos e descompromissados. Baseado nas histórias em quadrinhos de René Goscinny e Albert Uderzo, "Missão Cleópatra" é diversão do começo ao fim. Meio esquizofrênico, este novo filme de Asterix e Obelix reserva algumas boas piadas aos espectadores, e algumas surpresas para quem espera apenas por uma comédia certinha envolvendo os dois personagens. A história começa quando Cleópatra (a estonteante Monica Belucci) faz uma aposta com seu amante, Júlio César (Alain Chabat, também diretor do filme). Cleópatra promete à César que o povo egípcio provará sua superioridade ao construir um palácio em homenagem ao imperador romano em 3 meses. Para projetar a construção, a rainha do Egito convoca Numerobis (James Debbouze), um arquiteto não exatamente talentoso. Ele precisa entregar o palácio completo em exatos 3 meses, caso contrário, será devorado pelos crocodilos de estimação da rainha. Desesperado, Numerobis se lembra de um druida que fazia uma poção mágica capaz de dar superpoderes à quem a bebesse. Falamos de Panoramix, claro. A poção certamente faria a obra andar mais rápido. Numerobis, então, vai até a Gália, e encontra o druida. Ele consegue convencê-lo a ir até o Egito. Asterix (Christian Clavier) e Obelix (Gérard Depardieu, perfeito), então, vão junto para auxiliar na construção. No caminho, eles destroem o navio do pirata Barba-Ruiva, e ao chegarem no Egito, ainda precisam lidar com os planos malévolos de Amonfobis, arquiteto rival de Numerobis que foi dispensado por Cleópatra. O vilão ainda conta com a ajuda do exército romano e de César, louco para ver sua amante perder a aposta. Boa parte das piadas do filme são gags visuais inspiradíssimas. Como no primeiro, ver os romanos voando pelos ares continua divertido. Os efeitos da poção de Panoramix também continuam rendendo bons momentos. Num dos melhores, Asterix corre pelo deserto como se fosse uma moto de rally. Até o barulho é o mesmo. Alain Chabat acertou ao transformar o filme numa produção francamente debochada. "Asterix e Obelix : Missão Cleópatra" sabe que é bobo, e ganha em cima disso. Usa e abusa de piadas non-sense, absurdas, e completamente fora de contexto. Todas funcionando muito bem, algumas sendo capazes de fazer o público gargalhar (o estressado Numerobis, em particular, faz qualquer um rir). Num dos melhores momentos do filme, quando Obelix está prestes à mandar pelos ares um exército inteiro de romanos, a cena é interrompida: "Atenção. Por causa da violência desta cena, ela foi cortada. No lugar, fiquem com este mini-documentário sobre as lagostas." E durante 30 segundos, o público acompanha assustado e às gargalhadas as imagens de uma lagosta, com um texto "filosófico" ao fundo. Reação semelhante ocorre quando os servos egípcios que trabalham na construção do palácio começam a cantar "I Feel Good". Fora isso, algumas boas piadas envolvendo uma líder chamada Celularis (já vão imaginando...), o navio de Barba-Ruiva, e o intelectual ajudante de Numerobis garantem a diversão. "Asterix e Obelix: Missão Cleópatra", ainda traz várias referências e citações. Além de uma notável "bagunça" em seu humor (influência talvez do grupo Monty Python), o filme tem cenas que remetem diretamente à "Star Wars" e "O Tigre e o Dragão". Este último é meio que esculachado numa hilariante cena de luta entre Numerobis (que grita como um gato histérico) e seu rival Amonfobis. Os efeitos especiais divertidos, a fotografia colorida, os figurinos inspirados e a cenografia de encher os olhos completam a diversão. Problemas surgem quando percebe-se que a dupla de protagonistas aparece menos do que deveria, e quando o humor do filme, até então divertido, começa a cansar já próximo do final. Mas daí basta colocar Monica Belucci num vestido provocador e tudo se conserta.
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