Bastardos Inglórios

Você também vai concordar com Tarantino. Mas antes, sobre o que trata o novo filme de Quentin?

Um grupo de judeus-americanos caça, mata e escalpela nazistas na França ocupada. São os Bastardos, liderados por Aldo, o Apacha (Brad Pitt). Em paralelo, uma judia chamada Shossana, escapa do massacre de sua família e torna-se proprietária do cinema. Um soldado nazista se apaixona por ela e solicita para o ministra da propaganda realize a premier de um filme no referido cinema. Shossana e os Bastardos planejam matar os nazistas. Mas um não avisou ao outro... Um final apoteótico acaba por unir todos os fios.

O roteiro é antigo. Há uma década Tarantino trabalha em cima dele. Pensou até em transformá-lo numa série para TV. Se temos o privilégio de vê-lo na tela grande, devemos agradecer a Luc Bresson que falou para Tarantino que ele era um dos poucos que ainda o estimulavam a ir ao cinema.

Em Kill Bill Vol. 2 notávamos um equilíbrio entre ação e momentos mais contemplativos; em Bastrdos Inglórios fica claro o amadurecimento do estilo de Tarantino. As cenas de ação e violência estilizada estão lá. Mas também há muitos momentos de diálogos e de silêncios.

Esses instantes de silêncio geram o suspense. Como no almoço em que se acerta a premier do filme. Sempre que a câmera focaliza o rosto de um dos atores ou a expressão de tensão de Shossana ficamos na expectativa de saber se a verdadeira identidade dela será descoberta. Ponto especial para Sylvester Groth que interpreta Goebbels. Nessa sequência, ele altera diversos estados de espíritos, da excitação à raiva. Insuperável o momento em que ele canta.

Outras pérolas de atuação: Martin Wuttke como um Hitler mais cômico que o normal; Eli Roth como um Bastardo especialista em “basibol” e Mike Myers como um general inglês, conseguindo equilibrar o cômico e o dramático.

História, ação, violência, sedução e frases. Sim, as frases de Quentin! São diálogos que carregam na tensão, como o diálogo na taberna, e na canastrice, como quando os Bastardos surgem pela primeira vez matando os nazistas.

O filme é intenso e forte maremoto. Não pense em ver uma lição de história. Tarantino perverte os acontecimentos, cria uma ópera de cenas incríveis, como a do incêndio do cinema, na qual conhecemos o espírito de fúria da guerra por meio de um conjunto de elementos fictícios: os próprios acontecimentos, o filme exibido na tela e o discurso de Shossanna no fim. Talvez, o que recebemos é uma lição de cinema.

A frase final cabe ao diretor, usando a voz da personagem de Brad Pitt. Provavelmente, você irá concordar com Tarantino.

 

Nota:
Crítica por: Georgenor de S. Franco Neto