Sinopse: O detetive Bellini é contratado por uma pessoa misteriosa. Sua missão é recuperar um livro que estaria relacionado a sangrentos assassinatos.
Não se pode dizer que o diretor Marcelo Galvão seja medroso. Em Bellini e o Demônio ele mostra toda sua coragem e ousadia, doa a quem doer, oferecendo um profundo mergulho na mente do detetive. A história trabalha muito com visões e sonhos e Galvão usa todas as oportunidades possíveis para empregar uma câmera nervosa e criar imagens perturbadoras. Como toda pessoa que é ousada, ele corre o risco de passar do ponto. Infelizmente isso acontece algumas vezes durante o filme.
O maior problema é que a personalidade cinematográfica forte de Galvão acaba cansando, muito porque se espera que a produção seja uma clássica história de investigação, com toques noir. Depois de algum tempo, o espectador espera por pelo menos uma cena em que a construção estética seja um pouco mais calma e conservadora. Com essa opção, o diretor deixou escapar a chance de fazer belas cenas sensuais com a atriz Rosane Mulholland (Falsa Loura), que era um dos propósitos da sua personagem.
Mesmo passando-se muitos anos desde Bellini e a Esfinge (2001), há leves referências ao passado do detetive Remo Bellini. Quem não assistiu (ou não lembra) a última aventura dele, não há o que temer: é totalmente possível compreender o que se passa apenas com esse filme. No entanto, o final confuso continua lá.
Merece menção a atuação de Fábio Assunção (Primo Basílio), de volta na pele do investigador. Dessa vez, por causa do teor mais pesado do enredo, ele teve de mostrar-se muito atordoado, muito por causa de abusos em drogas. O único problema é que no começo do filme, seu personagem não parece estar empenhado em resolver o caso, ficando a maior parte do tempo bebendo, fumando e dormindo. As cenas de delírio são inseridas nesse contexto, mas não parece fazer muito sentido.