O Besouro Verde chega aos cinemas nesta sexta-feira com a difícil missão de emplacar nas bilheterias de todo o país. Seria uma missão impossível? Acredito que sim. Se depender do carisma do protagonista, ofuscado pelo coadjuvante Kato e pelas falhas do roteiro, O Besouro Verde será um grande fracasso. Apresentando uma Cameron Diaz perdida em tamanha canastrice, esta bomba é um dos piores filmes de super-herói, conseguindo superar até mesmo Mulher Gato, fiasco de Halle Berry há alguns anos.

Nem a tecnologia 3D consegue salvar O Besouro Verde (The Green Hornet) do fiasco. Aventura dirigida pelo francês Michel Gondry e estrelada por Seth Rogen (sem carisma), Jay Chou (interessante) e Cameron Diaz, trazendo ainda Christoph Waltz, Edward James Olmos, David Harbour e Tom Wilkinson (que desaparece da história antes que ela se torne tão medonha), O Besouro Verde conta a história de Britt Reid (Rogen), o filho do respeitado magnata da mídia de Los Angeles, que leva uma vida sem compromisso, até que seu pai morre misteriosamente, deixando-lhe como herança seu vasto império da mídia. Após uma confusa ação heroica numa noitada dos rapazes, eles decidem que podem ser heróis e bandidos simultaneamente: eis o início da saga deste herói fajuto.
A trama teve origem no rádio em 1936, foi lançado como seriado de televisão em 1966, trazendo Bruce Lee como o coadjuvante oriental, técnico em artes marciais, entretanto, foi cancelado um ano depois, devido à baixa audiência. Com um histórico desse, por que a insistência em ressuscitar um herói tão meia boca? Nicolas Cage tomou uma das decisões mais acertadas dos últimos anos em sua carreira, deixando de lado o papel do vilão, entregando-o ao canastrão Christhoper Waltz. As referências ao clássico Ben Hur não mudam a fragilidade do roteiro, nem tampouco as poucas boas falas (duas ou três memoráveis) referentes à cultura da mídia. Até a pequena piada com Crepúsculo não resultou bem, ficando solta e contraditória, afinal, por que citar a saga vampiresca se a trama de O Besouro Verde consegue ser pior? Paradoxal, não?

Vilões e piadas sem graça, somados às cenas de explosões e tiroteios (meras desculpas para a movimentação da ação) ilustram esta aventura emocionalmente estéril. O herói que tem a sua origem nos rádios, já passeou pelos quadrinhos e agora chega aos cinemas, num filme que provavelmente vai passar despercebido pela geração atual. Com dolorosos 119 minutos de duração, O Besouro Verde mostra que a esperança, mesmo sendo a última, morre. E se formos depender desta mega bobagem, morre feio.