Biutiful


Depois de 4 anos sem lançar longas, além de desfazer sua parceria com o roteirista Guillermo Arriaga (21 gramas), o diretor mexicano Alejandro Gonzalez Iñarritu (Amores Brutos) estreia Biutiful. Ao contrário de suas produções anteriores, este não engloba diversos personagens e um acidente que destrói suas vidas, em uma edição fragmentada. Segundo Iñárritu, depois de Babel, ele queria tentar algo menos complexo e focar sua trama na trajetória de um personagem. E é mais ou menos o que ele fez.

O filme conta a história do herói trágico Uxbal (Javier Bardem) pai de um casal de crianças, que se descobre na iminência da morte e tenta construir um lar e fazer um pé de meia para que seus filhos sejam criados dignamente. Mesmo focando em Uxbal, em uma narrativa linear, o longa mostra uma trama interessante em paralelo: o tráfico de chineses. De forma humanizada, ele mostra os dramas e a exploração dos chineses na Espanha, e que não é algo que acontece com exclusividade no país.

Iñarritu criou uma narrativa densa e trágica, mesmo tendo buscado o foco em um personagem em uma edição linear; é iniciado com um diálogo em off e uma cena diversa. Que mais tarde os espectadores a presenciam novamente. As características fortes no filme são: a estética marginal, a trilha, a direção dos atores, o roteiro e os close ups. Os enquadramentos exploram as ações das personagens, imprimindo o drama delas. A trilha é de Gustavo Santaolalla (Diários de Motocicleta), o diretor musical mexicano já é um colaborador dos filmes de Iñárritu. Alejandro é um daqueles que conseguem extrair tudo de seus atores, mesmo de crianças – como já fez em Babel, onde buscou crianças de uma comunidade para interpretarem personagens importantes do filme-. Um dos personagens mais fortes é um menino de 7 anos, que culpa a mãe pelo divórcio e pelos problemas da família.

Barden também não fica pra trás, o espanhol criou minuciosamente os movimentos do personagem, ficando claro suas intenções mesmo quando ele apenas observa.

Sua relação com os filhos é de pai devoto, que faz de tudo para protegê-los. Biutiful é a aposta do México por uma vaga no Oscar, há 10 anos atrás Iñárritu concorria com Amores Brutos; e no Globo de Ouro também. Para quem duvidava se Alejandro iria conseguir realizar um filme sem Arriaga, este longa é a prova do talento e a consolidação de uma importante co-produção México-Espanha, que conta com os mais importantes nomes do cinema mexicano: Gustavo Santaolalla, Afonso Cuarón, Guillermo Del Toro e o próprio Alejandro Gonzalez Iñárritu.

 

Nota:

Crítica por: Thais Nepomuceno (Blog)