Aplaudido pelos cerca de 500 jornalistas presentes à sessão promovida no Festival de Berlim, “Bravura Indômita” parece ter sido feito de encomenda para o Oscar, mas poderia não ser, não fosse o talento para histórias de faroeste dos irmãos Coen – ainda que eles aleguem que o filme só virou faroeste por acaso.

Realizando filmes independentes ou de grande orçamento, os irmãos diretores sempre deixam sua marca extremamente estadunidense em seus filmes e o fazem surpreendentemente acima dos (baixos) padrões de qualidade do cinemão norteamericano. Como quase sempre acertam a mão, viraram queridinhos das premiações e são sempre badalados. Fazendo bem um cinema – que poderia, mas não é – limitado para americano ver, eles parecem ser os últimos a ainda dirigirem com primor genuínos faroestes.
“Bravura Indômita” é a refilmagem do clássico homônimo protagonizado por John Wayne, em 1969. Na versão atual, Jeff Bridges é o U.S. Marshal Rooster Cogburn (espécie de fora-da-lei), que ajuda a menina Mattie Ross, em busca de se vingar pelo assassinato do pai.
Ambientado no Arkansas, o filme tem todos os elementos de um faroeste, mas isso só serve de pano de fundo para uma história sobre amadurecimento precoce, obstinação e coragem. Obviamente, também fazem parte dos ingredientes a ação, tiros e algum sangue – provavelmente elementos que explicam o sucesso estrondoso do filme com o grande público. Só nos EUA, o longa já arrecadou mais de 150 milhões de dólares e outros tantos no restante do mundo.

Impecável em sua execução, “Bravura Indômita” não deixa dúvidas quanto ao mérito de seus tantos prêmios recebidos, especialmente por sua belíssima fotografia (marca do mestre Roger Deakins), figurinos caprichados e um elenco invejável. Não há dupla que pudesse se sair melhor do que Jeff Bridges e a menina Hailee Seinfeld. São eles a representaação do velho e do novo e do equilíbrio entre ambos. Uma definição que cabe à produção como um todo, com charme de filmes antigos, mas sem deixar de lado elementos e técnicas modernas.
“Bravura Indômita”, assim como os irmãos Coen, é admirado não porque seja genial, mas porque adapta bem um material ultrapassado, é extremamente bem executado e poucas vezes peca. A verdade é que, em tempos de pouca inventidade – Aronofskys à parte – quem erra menos é rei.