| Uma ida ao cinema pode ser uma aventura. Minha intenção era assistir ao "Capitão América". Entrei na fila e comprei ingresso para uma comédia romântica. No final, a fita era um romance de tons levemente dramáticos. O filme era "O Casamento do Meu Ex". O título em português e a classificação como comédia romântica não transmitem o espírito do filme. |
Melhor o título original "The Romantics", passa melhor a ideia do filme: sete amigos se reúnem novamente para o casamento de dois deles, Lila e Tom. Nesse grupo, está Laura, a única solteira do grupo, que no passado fora namorada de Tom. Desse encontro, brotam frustrações, amores mal resolvidos, conflitos, acomodações, picuinhas. Esses elementos brotam sutis como uma garoa, algo reforçado visualmente pela câmera que parece flutuar entre as personagens.

A narrativa guarda elementos dos filmes dos anos 80 sobre reuniões de amigos para debater sobre a vida, o universo e tudo mais. Porém, não vemos aqui uma verborragia excessiva ou diálogos que tentam compreender a natureza das coisas (há críticos que consideraram o filme exatamente o oposto). As conversas tratam sobre o relacionamento desses sete sujeitos. É por aí que a diretora Galt Niederhoffer vai desnudando os sentimentos, notadamente as frustrações deles. Boa parte disso é revelada durante a noite, quando as personagens se dividem para procurar Tom, que sumiu depois de um discurso na praia.
Por ser um primeiro trabalho, Niederhoffer não vai tão fundo com certos personagens, podendo passar a impressão de ser um filme arrastado. Mas, o filme não chega a ser tedioso. A fotografia clara, as imagens limpas, os movimentos da câmera e a trilha sonora (um show a parte) envolvem-nos em todo o romantismo e frustrações desses sujeitos.

As personagens são curiosos, porém, apenas Lila (Anna Paquin) e, principalmente, Laura (Katie Holmes) são realmente bem construídas. Paquin conseguem expor o quanto Lila está mais interessada no evento casamento do que no noivo quando tenta justificar porque o ama. Ela faz de maneira monocórdia, sem nenhuma empolgação. Aquela alegria de noiva só aparece quando, em seguida, eles discutem.
A maior figura do filme é de longe Laura. É incrível como Katie Holmes consegue dar nuances para a personagem. O olhar, o andar, o tom de voz, tudo se soma para compor as frustrações de Laura, algo que se torna explícito nos diálogos com Tom e com Lila.
O filme tem suas imperfeições (em vários instantes a imagem fica levemente desfocada, sem muita razão) e seus clichês. Mas, na equação, o resultado é um trabalho de estréia bom e agradável. Se melhorar, a diretora Galt Niederhoffer pode se tornar um nome de algum interesse.