| Diabéticos, corram! Assim como fez Almodóvar recentemente, Spielberg resolveu ligar o famoso botão da palavra F na potência máxima, desfrutou um baseado bem apertado e dali foi direto se empanturrar com bastante sorvete, doce de leite, calda de chocolate, suspiro e muito, muito granulado. E, tudo isso ao mesmo tempo, dentro de um grande balde chamado “Cavalo de Guerra” (War Horse). |
Em mais de duas horas de projeção, somos guiados por uma direção super dispersa, afrontados pelo cúmulo da pieguice em doses cavalares: um filme de superação, claro. Cheio de pseudo-bonitas mensagens, claro. Clichês a dar pelo ladrão, claro. Com trilha sonora mega melosa de John Williams, claro. Calma, vamos raciocinar. Sei que Spielberg é um ótimo diretor e que possui um saco de pipoca no lugar do cérebro. Mas, como todo ser humano que se preze, ele também está fadado a pisar na bola.

Baseado em um livro infantil de Michael Morpurgo, o filme narra a história de um menino que ganha um cavalo selvagem, se apaixona por ele, vive grudado com o bicho, até que seu pai, abarrotado de dívidas, resolve vendê-lo para um oficial do exercito, em plena primeira guerra mundial. Resumo da ópera: o cavalo passa pela mão de várias pessoas – todas, obviamente, super sensíveis-, enquanto seu dono ainda mantém esperança de reencontrá-lo. Comparações com o belíssimo “Corcel Negro”, de 1979, não será uma mera coincidência. Infelizmente.

Com aquela sensação de enjôo digna de um bom passeio de montanha russa, acompanhada de grandiosos pedaços de linguiça que ainda somos forçados a engolir durante o percurso, Spielberg realmente parece ter ficado sem ajuda do seu fiel medidor de desconfiômetro dessa vez. Azar esse que Pedro não teve.