Chega aos cinemas brasileiros - com muito atraso - "Chegadas e Partidas", o mais recente filme de Lasse Hallstrom (diretor de "Chocolate" e do ótimo "Regras da Vida"). Apesar do grande elenco - que conta com Kevin Spacey e Julianne Moore nos papéis principais - o filme foi um enorme fracasso de bilheteria nos Estados Unidos e também não tem faturado muito por aqui (na verdade, o filme já chegou ao Brasil desacreditado e estreou em poucas salas). O fracasso de "Chegadas e Partidas" é explicado. O filme não é péssimo, mas fica a anos luz de ser ótimo. O roteiro conta a história de um homem solitário e fracassado (Kevin Spacey) que decide voltar a sua terra natal com a filha e uma tia (Judi Dench) depois da morte de sua esposa (Cate Blanchett). "Chegadas e Partidas" se perde em vários momentos, o roteiro tem muitas sub-tramas (todos os personagens do filme tem uma história obscura do passado, aliás, a terra natal do personagem de Kevin Spacey é povoada pelas pessoas mais estranhas do globo terrestre) que acabam deixando o filme com cara de novela, nenhum assunto é muito aprofundado, nada chega a uma conclusão, tudo é meio jogado de qualquer jeito, e ao final da exibição tem-se a nítida sensação de estar emergindo de um romance a lá Sidney Sheldon. Porém, nada seria muito traumático não fosse um acontecimento ridículo que se dá quase ao final do filme. "Chegadas e Partidas" corre para um final até que corretinho (o que não é lá muito bom), mas de repente uma espécie de "ressurreição" acontece e a impressão de se estar assistindo a uma novela vira certeza absoluta. "Chegadas e Partidas" é adaptado de um livro chamado "The Shipping News" (título original do filme) e aqui posso ser categórica em dizer: é um exemplo perfeito de como não adaptar um livro. Agora, em se tratando de uma novela; o filme é sem dúvida objeto perfeito para pesquisa.
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