Em um misto de documentário com ficção, 'Cine Tapuia' vai prestando uma justa homenagem ao cinema, que passa por imagens de filmes de Vertov, de Eisenstein, do Kuleshov, do Glauber e por aí vai. Paralelo à isso temos a história da Iracema moderna (Myrlla Muniz), filha do cego Araquém (Rodger de Rogério), dono de um cinema mambembe, que vê sua rotina mudar ao conhecer o português Martim (Luiz Carlos Salatiel). Ao longo do filme Iracema e seu pai vão levando o cinema à diversas comunidades que nunca tiveram contato com a sétima arte. E a imagem de cada pessoa ao se deparar com a telona pela primeira vez é de uma beleza indescritível. Cariry consegue captar muito bem, levando a platéia a se emocionar em vários momentos com tamanha sinceridade. Entretanto, falta ao filme uma história própria que permanece tal homenagem. Apesar da boa intenção, a homenagem à obra de José de Alencar não funciona, demonstra uma ingenuidade muito grande, que não prende o espectador. Além disso, as interpretações de Myrlla e Luiz Carlos são fracas, principalmente se comparadas a Rodger de Rogério. O filme ainda vale uma espiada pelas imagens de nosso cinema e o tom documental, mostrando que apesar dos alto e baixos, temos muita coisa boa para ser vista, revista e celebrada em nosso cinema. |