O Código Da Vinci

Como todas as adaptações literárias, essa irá se dividir em dois públicos: os que leram a obra 'O Código Da Vinci', e os que não.

Para quem não leu o livro, o filme irá parecer corrido demais em alguns aspectos, e arrastado demais em outros. Ron Howard, o diretor, já pode ser caracterizado por um estilo próprio: uma direção suave, sem ponto de vistas, arrastando a trama e tentando dar vida aos personagens. Foi assim que ele recriou 'Uma Mente Brilhante', e assim ele também deixa sua marca em 'O Código Da Vinci'.

O grande problema não está na película em si, mas sim na adaptação: os fãs encontraram no livro uma história inovadora e bem amarrada, algo que se perde em uma produção Hollywoodiana. Os que não leram o livro, foram sugados por uma campanha de Marketing arrebatadora, esperando demais de um produto que não se demonstra tão grandioso assim.

O Código Da Vinci, tornou-se um fenomeno global, e apresentou a milhões de leitores um mundo misterioso onde Leonardo Da Vinci codificou significados ocultos nos seus quadros; símbolos estranhos estão esculpidos numa remota capela escocesa; e a Igreja Católica e uma antiga sociedade secreta continuam a travar uma batalha velha de séculos para obterem o controle do derradeiro prémio: o Santo Graal. O filme trata da morte misteriosa do curador do Louvre, que pertencia ao Priorado de Sião, uma sociedade secreta, e guardava o segredo do Santo Graal e de mensagens cifradas sobre o assunto que estariam nas obras de Leonardo Da Vinci. Este não seria um cálice ( como se buscava na Idade Média ), mas a própria Maria Madalena, que teria casado com Jesus e constituído uma linhagem carnal. A partir deste assassinato se desenvolve toda a trama.

Tom Hanks como sempre se destaca na produção, dando uma interpretação categórica e bem desenvolvida, mas já nos brindou com interpretações mais decentes, ficando atrás de seu verdadeiro talento. Audrey Tautou, em seu primeiro grande trabalho Hollywoodiano, dá conta do recado, mas ainda assim já conseguiu ser mais talentosa e marcante em trabalhos anteriores. A maior interpretação pode ser dada ao veterano Sir Ian McKellen, que parece impor respeito toda vez que entra em cena.

As obras e paisagens também ganham um destaque, afinal, não podemos realmente ver o que está acontecendo quando lemos o livro. E viajar dentro do belissímo Museu Louvre e conferir as grandes obras lá presentes é uma dádiva ao público. Ele acaba se tornando um protagonista.

No final, 'O Código Da Vinci' é um blockbuster gigantesco, bem produzido, de grande qualidade. Mas infelizmente ainda é inferior ao livro, ou até mesmo ao fenomeno que o livro causou pelo mundo.

Nota:
Crítica por: Renato Marafon
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