Boa parte da crítica massacrou O Código Da Vinci, apontando-o como um filme confuso e apático. É certo que o novo trabalho do diretor Ron Howard (vencedor do Oscar por Uma Mente Brilhante) começa meio sonolento, mas o ritmo melhora após o segredo envolvendo a vida de Jesus Cristo ser revelado e, a partir daí, o trio formado por Robert Langdon (Tom Hanks), Sophie Neveu (Audrey Tautou) e sir Leigh Teabing (Ian McKellen) começar a perseguir as evidências, tendo sempre no encalço membros da igreja católica e a polícia francesa. 
Não cabe aqui revelar qual é o segredo da trama, embora metade do planeta já o saiba, ou por ter lido o livro de Dan Brown ou devido às polêmicas ao redor do mesmo. Vale ressaltar, entretanto, que a maioria das informações da obra e do filme - não têm comprovação histórica, e tudo deve ser encarado apenas como uma imaginativa diversão. O filme certamente terá um peso diferente para aqueles que leram ou não o livro. No caso dos primeiros, é praticamente impossível não sentir uma certa reverência de Howard com o texto de Brown, deixando a transposição para as telas arrastada quem leu o primeiro Harry Potter e depois viu o filme, sabe do que estou falando: cenários grandiosos, ações sucedendo-se umas às outras, mas mesmo assim, falta o dinamismo que a adaptação da história para as telonas merecia. 
A experiência deverá resultar melhor para quem não leu a obra e, assim, a despeito das seqüências por vezes cambaleantes, poderá acompanhar a história com mais curiosidade e empolgação. Afinal, não há como negar: a trama é mesmo mirabolante e surpreendente. É uma pena que tanto o livro quanto o filme optem pelo término politicamente correto, perdendo a chance de ao menos na ficção expor a hipocrisia da igreja. Em o Código Da Vinci, os coadjuvantes roubam a cena. Esqueça da atuação de Tom Hanks (apático no papel do professor de simbologia) e de Jean Reno (sem muito a dizer na pele de um inspetor policial). Também este não é o grande papel de Audrey Tautou (O Fabuloso Destino de Amélie Polan), apesar da atriz construir em certos momentos uma espirituosa Sophie. Os grandes destaques no quesito atuação são mesmo Ian McKellen (da trilogia X-Men), como o sarcástico sir Leigh Teabing, e Paul Bettany (de Fire Wall), como o perturbado monge da Opus Dei, Silas. Com seus altos e baixos, o Código da Vinci não deve ganhar nenhum prêmio, nem se tornar o filme favorito de ninguém. Mas não é tão ruim quando o estão pintando. Especialmente para quem não leu o livro, vale a visita ao cinema.
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