Como Fazer um Filme de Amor

De todos os gêneros cinematográficos conhecidos, com certeza o de comédia romântica é o mais controverso, visitado pelos diretores e assistido pelo público em geral. Os amantes da sétima arte possuem uma relação de amor e ódio com este tipo de filme por causa da falta de originalidade e da mesmice de tais películas. O diretor José Roberto Torero acha que é fácil fazer um filme romântico. E a receita ele passa na sua estreia na direção em “Como Fazer um Filme de Amor”, do qual ele também foi co-autor do roteiro.

O narrador do filme (o ator Paulo José) é quem apresenta os ingredientes da receita. Primeiro, a mocinha: a fotógrafa de casamentos Laura (a ótima Denise Fraga, que trabalha com Torero nos seus quadros televisivos para o “Fantástico”) que não é bela demais, velha demais ou nova demais; que vive com a mãe cega (a cirurgia de transplante de córnea de que ela necessita custa 12 mil reais, um dinheiro que elas não possuem) e que dirige um fusquinha velho. O segundo, o mocinho: Alan (Cássio Gabus Mendes), o dono da mais importante agência de modelos do Brasil, homem viúvo (e que jurou nunca mais subir ao altar novamente) e solitário. A terceira, a vilã: Lilith (Marisa Orth), funcionária de Alan na agência de modelos e que anda o tempo todo acompanhada do seu capacho Adolf (o músico André Abujamra).

Alan e Laura irão se encontrar quando disputam uma vaga de estacionamento em frente a uma vídeo locadora e logo de cara não simpatizarão um com o outro (clichê nº 04). Eles se reencontrarão em uma festa de casamento, quando Alan convidará Laura para fotografar um catálogo para sua agência (e que lhe renderá o dinheiro para pagar a cirurgia da mãe). E é numa ilha deserta – o local paradisíaco da sessão de fotos – que eles irão se apaixonar (clichê nº 05).

Sem querer estragar nenhuma das surpresas do filme, outros clichês marcam presença em “Como Fazer um Filme de Amor”: a vilã tentando separar o casal; a primeira noite de amor de Alan e Laura; o mordomo, figura que exerce o papel do amigo que irá abrir os olhos do mocinho e mostrá-lo que ele está apaixonado; até que, finalmente, o casalzinho faça as pazes e sejam felizes para sempre.

“Como Fazer um Filme de Amor” brinca com o gênero de comédia romântica, alfineta as determinações do mercado cinematográfico e, guardadas as devidas proporções, é o “Todo Mundo em Pânico” deste gênero. O filme brinca com o amor e com o ato de se apaixonar para nos lembrar de que amar é um verdadeiro clichê, é meloso e bobo. Laura e Alan somos todos nós, acabando com o mito de que as comédias românticas são “filmes para garotas”; quando, na verdade, são filmes de apelo universal.

Nota:
Crítica por: Ana Kamila Azevedo
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