Confissões de uma Garota de Programa

 

Sinopse: Chelsea é uma garota de programa que oferece aos seus clientes uma experiência de companheirismo, além do sexo. Ela tem de lidar com seu trabalho e com seu namorado.

O cineasta Steven Soderbergh já se mostrou ser um profissional altamente versátil. Em seu currículo constam filmes altamente comerciais e divertidos, como a franquia terminada em 13 Homens e um Novo Segredo, até cinebiografias engajadas como Che. Parece que com Confissões de uma Garota de Programa (The Girlfriend Experience) ele tentou ao máximo fazer um filme ousado. O problema é que ele tentou demais e acabou usando os mais batidos clichês desse tipo de produção.

Os exageros começam com as escolhas mais primordiais. Para não ser apenas mais um filme que fale de prostituição, a protagonista é vivida por Sasha Grey, uma estrela da indústria pornográfica. Para ser ainda mais polêmico, o namorado dela sabe de sua profissão e não tem problemas com isso. Aqui vale um adendo, o ator Chris Santos tem problemas sérios em seu trabalho e pode parecer o amigo gay de Chelsea antes que se perceba que ele é o namorado dela.

Voltando para a receita de ousadia... Para deixar tudo mais confuso, a história é apresentada de forma não-linear, com cenas cortadas antes de seu final para depois serem retomadas. Essa escolha na estrutura narrativa não se justifica, já que a ideia não é criar suspense ou dar novos pontos-de-vista para as situações. É apenas para ser gratuitamente diferente tentando ser estiloso.

Como a maioria dos filmes ditos de vanguarda, Confissões de uma Garota de Programa segue com tonalidades documentais: câmera posicionada de forma estranha, personagem com o mesmo nome dos atores que os interpretam, e por aí vai. A cereja no topo de bolo é a trilha musical, que por vezes é destoante das imagens, e a cena final, que tem de ser ilegível para sacramentar a ousadia da fita.

Se tivesse tentado menos seguir por esse caminho, o filme deixaria mais claro sua mensagem. O tema central não é a prostituição, mas sim a economia e a sociedade moderna. A discussão poderia ser levada a cabo por mais espectadores, mas quem se incomodar com o excesso de ornamentos terá dificuldade de absorver o que se tem a dizer.

 

Nota:
Crítica por: Edu Fernandes (HomemNerd)