Quem tiver um pouco de experiência com o cinema francês consegue deduzir que Um Conto de Natal (Un conte de Noel) é um título que traz diversos elementos bem característicos da cinematografia daquele país. A começar pelo elenco numeroso e talentoso que o cartaz faz questão de anunciar. Imagine essa grande quantidade de pessoas enclausuradas em uma casa durante a época natalina... considerando que todos são franceses, é fácil de se concluir a duração de sua discussões.
Além da verborragia, outra característica francesa é a direção de Arnaud Desplechin (Reis e Rainha) que se permite utilizar de algumas pequenas ousadias. A apresentação da situação inicial do clã dos Vuillards, por exemplo, é feita através de um teatro de sombras.
A forma como os conflitos são colocados todos em um mesmo caldeirão não chega a ser criativa e pode até lembrar Feliz Natal, com um tempero francês. Em ambas produções, o espírito natalino não é exaltado, a situação das festividades é apenas um pano de fundo e um pretexto para a reunião dos personagens.
Como não poderia faltar, o sexo é inserido em muitos diálogos e a relação entre os personagens é bem bizarra para os padrões a que estamos acostumados. Para quem gosta do cinema francês, Um Conto de Natal é um prato cheio. Para quem não tolera as discussões que parecem não leva a lugar algum, pode funcionar como sonífero ou causar grande impaciência.