Sinopse: Charles Darwin está conduzindo as pesquisas e experimentos para escrever A Origem das Espécies. Seu dilema é balancear as idéias de vanguarda com a fé religiosa de sua esposa.

Com A Origem das Espécies, o naturalista inglês Charles Darwin trouxe ao mundo uma ideia revolucionária. A prova do alcance do darwinismo está nos campos em que seus escritos geram discussões. Além da biologia, Darwin é assunto de teologia, sociologia e filosofia. Por essa razão, não é um absurdo esperar que o filme que narre a confecção de um livro dessa importância abra espaço para discussões desse nível de complexidade. No entanto, Criação (Creation) não passa de um drama familiar muito mediano.
Um bom exemplo de uma fita sobre a escrita de um livro que relaciona o conteúdo literário com o gênero cinematográfico é Zodíaco. Falando da caçada a um serial killer, a produção dirigida por David Fincher é um thriller policial.

Já Criação procura emoção onde não é sua jurisdição. Ao invés de investir no impacto que os escritos de Darwin teriam na sociedade da época, o foco recai na morte de Annie, a filha mais velha da família. A tragédia realmente afetou a vida do cientista e há muita fidelidade com os acontecimentos reais, mas a ciência não poderia ser deixada de lado.
Se todos os sonhos fantasiosos e os diálogos imaginários entre Charles e Annie fossem substituídos por passagens reais, quem conhece um pouco a história ficaria mais contente. A famosa viagem do Beagle às Ilha Galápagos, por exemplo, é resumida a poucos flashbacks aqui e ali.

Criação peca por não cumprir sua primeira obrigação: dialogar com os conhecedores da obra de seu personagem principal. Provavelmente só quem for arrastado ao cinema por um darwinista é que poderá aproveitar o filme.