Cyrus


Cyrus” é um filme de família, literalmente. Produzido pelos irmãos Ridley e Tony Scott, dirigido por outros dois irmãos , Mark e Jay Duplass. Estes últimos não têm o currículo dos primeiros, mas isso não extingui a potencialidade da dupla.

O longa trata da delicada relação entre enteado e padrasto, não limitando seu argumento apenas neste ítem. Ele mostra artimanhas do filho para não ‘perder’ a mãe e o comportamento do futuro padastro na confusão. Marisa Tomei é a mãe superprotetora, não teve relacionamentos amorosos após o nascimento do filho. Jonah Hill (o gordinho engraçado de Superbad) é Cyrus, o filho mimado que usa seus artifícios para chamar a atenção da mãe. Ele vê seu ‘império’ ameaçado com a chegada de Johnny (mais uma brilhante atuação de John C Reilly), um divorciado que se apaixona por Molly (Tomei) e tem a difícil tarefa de driblar as armadilhas de Cyrus e não perder a mulher que ama.

O mais interessante no filme é o que filho e namorado fazem para proteger seus territórios. O que no início poderia parecer um drama é na realidade uma comédia bem suave, sem apelar ao humor barato. Jonah e John possuem o timming e imprimem uma sutil rivalidade. Além disso, a proposta dos enquadramentos das câmeras, com closes absurdos , levam os espectadores ao detalhe dos olhares e expressões dos personagens a cada ação e reação. Ou até mesmo quando é visualizado apenas imagens dos olhares com diálogos em off. O segredo do filme está nas atuações, roteiro e direção.

Através de diálogos inteligentes e que partem de situações delicadas, como o namorado da mãe tendo conversas amistosas com o garoto, que está a todo tempo armando algo contra ele; o casting brinca e demonstra seriedade da temática ao mesmo tempo em que causa risos pelos comportamentos e situações embaraçosa. A direção se fez presente no tom dos atores e nos enquadramentos das câmeras, que pontuam os diálogos com close ups.

Parafraseando Charles Chaplin: “Se o que você esta fazendo for engraçado, não há necessidade de ser engraçado para fazê-lo.”. É uma das definições do filme, ele não tenta ser engraçado com piadas prontas, o riso é a situação. Ou até mesmo outra frase de mesmo autor: “No fim, tudo é uma piada.” . Eu poderia citar inúmeros quotes famosos sobre o riso e a comicidade partindo do dramático na vida e na arte, mas prefiro encerrar por aqui, com “Cyrus”, uma comédia com elementos dramáticos que ri para não chorar.

 

Nota:

Crítica por: Thais Nepomuceno (Blog)