Cinepop: No filme, tanto o protagonista Maxwell Nascimento, quanto os demais meninos que integram o elenco são não-profissionais. Porque esta opção? Débora Ivanov: Por 2 motivos: o primeiro é que se tratava de uma faixa etária onde não existem atores com uma grande experiência profissional, maduros... então a gente de qualquer maneira a gente teria que ajudar na formação deles. E segundo, porque a gente estava tratando de uma realidade muito dura, de exclusão, e seria muito mais difícil, eventualmente, você pegar um menino de classe média e pedir para ele mergulhar nesse universo. Então pra gente manter no filme esse frescor e o tom documental que o diretor sempre quis a gente optou por trabalhar com meninos não-profissionais. O terceiro é que o Carlos (Cortez, diretor do filme), queria atualizar essa obra, construir o roteiro junto com os adolescentes, então eles deveriam estar totalmente imersos no filme para trazer a realidade pra história. Por último é um processo de inclusão mesmo... vamos fazer um filme sobre uma dura realidade... vamos levar essa oportunidade pra lá imediatamente. Cinepop: Como vocês chegaram no Maxwell como protagonista do filme? Débora Ivanov: Nós fizemos testes com 1200 adolescentes aproximadamente. E o Carlos pedia à equipe que encontrasse um menino que tivesse ao mesmo tempo uma doçura no olhar e no jeito de falar e ao mesmo tempo alguma agressividade também. E aí dos 1200 selecionamos 200, fizemos uma série de atividades com eles através de oficinas, daí selecionamos os 40 que participam do filme e aí, depois de 1 mês trabalhando junto todos os dias, a gente escolheu o Maxwell como protagonista, por ter todos os atributos que procuramos. Cinepop: Qual a expectativa para o lançamento do filme? Débora Ivanov: Ainda não há data, mas deve ser entre os meses de Maio ou Junho. A expectativa é muito boa... acreditamos que o filme tem um forte apelo jovem, tanto pelo jovem de classe média por ser um filme interessante, bem feito, tanto pelas classes mais baixas, pois eles se vêem nessa realidade, e esperamos que esse filme chegue até ele. Cinepop: O cinema é capaz de despertar nas pessoas sentimentos de inconformismo e reflexão sobre uma realidade. "Querôo" age dessa maneira ao mostrar a vida de um jovem que na verdade é um em um milhão. É papel do cinema além de entreter provocar discussões? Débora Ivanov: Imagine em quantos filmes você não sai diferente, pensando sobre tudo que acabou de ver... quando você lança um olhar mais humano sobre essa realidade você amolece o coração das pessoas,provocando discussão e reflexão. Além de toda discussão e inconformismo que um filme como "Quero" pode gerar, nós estamos descobrindo agora um outro papel importante que são as "Oficinas Querôo" que estamos fazendo com os meninos de Santos (principal locação do filme). Através delas a gente pode "empoderar" o outro para que ele se expresse para que todos possam falar pra mais gente, gritar sobre seus problemas e necessidades. Não quer dizer que necessariamente vai mudar, mas é uma oportunidade que antes só a classe média tinha. E essas oficinas mostram aqueles jovens muitas vezes carente que existem outras possibilidades e que ele tem sim várias habilidades, e nossa contribuição é de lapidar. Fazer um filme como esse e ainda dar prosseguimento com esse trabalho é realmente muito bom. |