Os Delírios de Consumo de Becky Bloom

Sinopse: Rebecca Bloomwood é uma consumidora compulsiva que está totalmente endividada. Seu grande sonho é trabalhar em uma revista de moda, mas por causa de um acidente ela acaba sendo contratada por uma publicação econômica.

Os Delírios de Consumo de Becky Bloom (Confessions of a Shopaholic) é definitivamente um filme feminino. O amor das mulheres pelas lojas é real e alvo de piadas das mais diversas produções. O cenário perfeito para uma trama que se aproveita desses fatos é Nova York, com suas lojas e badalações. O livro no qual o roteiro foi adaptado se passa em Londres, mas a fria e nebulosa cidade europeia não rende as mesmas cenas que já foram consagradas por O Diabo Veste Prada ou Como Perder Amigos, daí a razão da mudança geográfica.

O figurino aproveita a temática consumista para extrapolar nas formas e cores. Para as pessoas com menos ousadia em suas vestimentas, alguns trajes da simpática protagonista podem parecer excessivamente coloridos. Misturando estampas, cores e texturas, o visual de Rebecca pode ser uma afronta para olhos que preferem roupas neutras, mas um presente para pessoas mais exageradas.

O maior pecado dessa comédia é a falta de profundidade. O gênero normalmente não tem a obrigação de discutir fortemente seus assuntos, mas com Delírios de Consumo a situação é outra. Como Becky é claramente uma consumista compulsiva, faz-se necessário um pouco mais de densidade quando se trata desse vício. Ao invés de demonstrar com mais dureza os sofrimentos que essa doença pode causar, o filme limita-se a fazer piadas.

Até a trilha musical acompanha as risadas do lamentável hábito irracional de comprar o que é desnecessário. Rehab, de Amy Winehouse, é executada em uma grande variedade de releituras – até como música de elevador. Aliás, todas as canções escolhidas para o filme são pop, com Gwen Stefani, Pussycat Dolls e Chris Brown. Outros exemplos podem ser ouvidos no trailer.

Outro aspecto que carece de profundidade é o romance que nasce muito repentinamente entre Becky e Luke – papéis de Isla Fisher (Três Vezes Amor) e Hugh Dancy (O Clube de Leitura de Jane Austen). Parece que o roteiro esqueceu-se de colocar uma atmosfera romântica entre os dois e que, sem mais nem menos, fica combinado que os dois estão apaixonados.

Delírios de Consumo garante risadas, mas não está no mesmo nível de outro trabalho feminino do diretor P.J. Hogan: O Casamento do meu Melhor Amigo (1997).

 

Nota:
Crítica por: Edu Fernandes
Site: www.homemnerd.com