De Repente, Califórnia


De Repente, Califórnia (2007) chega com atraso considerável às telas dos cinemas brasileiros. Tratando de um tema ainda tabu na sociedade contemporânea, o filme lida com singeleza e bastante cuidado, a descoberta da homossexualidade, abrangendo as relações familiares e os dramas pessoais do jovem Zach nesta conturbada fase da sua vida. Ganhador de diversos prêmios em pequenos festivais ao redor do mundo, o longa metragem dirigido e escrito por Jonan Markowitz possui algumas pequenas falhas que não estragam o produto final.

O jovem Zach (Trevor Wright) trabalha em uma lanchonete, sem perspectivas, e ajuda a irmã Jeanne (Tina Holmes) a cuidar de seu filho, Cody (Jackson Wurth). Quando o escritor Shaun (Brad Rowe), o irmão mais velho do amigo de Zach, retorna para uma temporada em busca da cura pelo seu desbloqueio criativo, em casa, ele logo se interessa pelos talentos artísticos de Zach. A amizade casual motivada pelo surf se transforma em uma verdadeira e íntima relação

O roteiro lida com personagens comuns e por isso, ganhou a simpatia do público e da crítica especializada. Longe de apelar para vulgaridades e situações formulaicas, De repente, Califórnia ganha vida ao mostrar o desenvolvimento da relação entre os surfistas sem pular etapas. A história é mostrada de forma delicada, assim como o fez Ang Lee em O Segredo de Brokeback Mountain (2006). Os personagens coadjuvantes são tão importantes quanto a dupla protagonista e a fotografia não fica devendo nada também, afinal, estamos falando das belíssimas praias da Califórnia.

O personagem Zach, protagonista da trama é o eixo da mesma, e por isso, muito bem desenvolvido. A cena clássica do confrontar-se diante do espelho e buscar reflexão esta presente na trama, assim como a felicidade estampada na face ao perceber que naquele momento da sua vida, na sua fase de descoberta, o jovem seleciona um tempo para si, após amargar anos vivendo para a família e para o que dita à sociedade hipócrita em que habita. De repente, Califórnia é uma história de amor e descoberta bem contada, que não agride a ninguém e que serve para mostrar que toda forma de amor é válida.

O filme correu sério risco de apelar para sensacionalismo barato. Dois surfistas sarados trocando beijos e carícias em cena? Por sorte, não caiu na onda dos filmes dirigidos por Rob Williams, diretor contemporâneo que em todas as incursões da temática gay no cinema (Breve regresso e outras pérolas), nadou no mar da pretensão e trouxe a tona filmes que não fogem os estereótipos típicos.


Nota:
Crítica por: Leonardo Campos