O cinema é uma das artes mais eficientes para criar alumbramentos. Quando o primeiro filme foi exibido, muitos saíram da sala, achando que o trem passaria por cima. Os filmes de ficção científica são ainda mais certeiros. Quem não se encanta ao ver uma guerra intergaláctica ou um osso virando um satélite???

Mas esse alumbramento, o efeito arrebatador da imagem, pode ficar mais raro. No gênero de ficção científica, estávamos passando por um marasmo. Poucos filmes traziam algo novo. Um sopro de renovação do estilo veio do sul. “Distrito 9” , do sulafriacno Neill Blomkamp, não deve causar o mesmo efeito do trem, mas criará alumbramento!
Uma nave espacial surge em Johanesburgo. O exercito a invade e encontra os ETs doentes. O governo dá abrigo. Vinte anos depois, o abrigo virou favela, o crime prolifera, uma multinacional administra os ETs, a população deseja expulsão dos “visitantes”. Durante uma operação de transferência dos aliens, o encarregado pela operação é contaminado por um líquido alienígena. O funcionário infectado chama-se Wikus van der Merwe. Ele sofrerá uma mutação, tornando-se uma extraterrestre.
O que chama a atenção no começo é o inusitado dos acontecimentos. Os ETs são segregados, e não vilões; disputam comida de gato, reviram o lixo atrás de comida, são protegidos pelos direitos humanos e submetidos a procedimentos burocráticos, como intimar os ETs da transferência. Nesse cenário, Wikus surge como um funcionário que quer subir na carreira. Faz tudo por ambição pequeno-burguesa, por preconceito e por um sentimento muito primitivo, quase ancestral: o encantamento por uma câmera ligada!

Wikus sofre uma mutação até tornar-se alienígena. Mas antes de se tornar um estranho fisicamente, ele já será uma estranho entre os sues “semelhantes”. Pelo DNA alienígena que carrega, ele é o único capaz de operar as armas deles. Assim, passa a ser perseguido, torna-se cobaia. Renegado pela esposa, só encontra abrigo entre os ETs. E mesmo assim, ficamos em dúvida se Christopher Johnson, o ET, o ajuda por ‘humanismo’ ou por necessidade.
Se o enredo pode parecer fantasioso, a forma de contá-lo é visceral, como a parte em que Wikus se torna uma cobaia. Contaminado por DNA alienígena, é o único capaz de operar as armas dos ETs. Com sua recusa, aplicam choques elétricos para a mão apertar o gatilho. É angustiante quando o alvo é um aliens vivo. Wikus implora para substituírem o alvo. O Alienígena sente-se acuado. Os cientistas, como se estivessem em uma sala silenciosa, aplicam o choque.
Com o avanço da narrativa criam-se simpatias por certas personagens. Porém, nunca uma identificação total. Quando pensamos em torcer por Wikus, ele passa para trás Christopher.

Um show a parte são os aliens, produzidos pela equipe de efeitos especiais de Peter Jackson – também produtor. Perfeitamente integradas à paisagem, a textura do tecido altamente realista, tudo fica no chinelo quando, pelas expressões faciais e corporais, somos tomados pelo compadecimento de criaturas muito diferentes de nós, mas que nos revelam nossa miséria e despertam alumbramento!
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