As raízes de “Enrolados” são expostas logo nos seus primeiros minutos, recheados de musiquinhas enjoadas, feitas para impregnar nos ouvidos das criancinhas e dos seus pobres pais: trata-se de mais um filme de princesa da Disney.

A bola da vez é Rapunzel, que apesar de ser protagonista de um dos mais famosos contos de fadas dos Irmãos Grimm e de já ter sido retratada inúmeras vezes no cinema (“Shrek”; “Barbie Rapunzel”), nunca antes ganhara um filme-solo com tamanho investimento.
Após a abertura insossa, a animação entra nos eixos e a história, assim como as piadas, começam a funcionar. A desmoralização dos príncipes está presente, como em boa parte das novas versões de contos de fadas para o cinema. É um recurso batido, mas a verdade é que o príncipe Flynn é a grande graça de “Enrolados”, que possui lá seus outros personagens feito para divertir – como o camaleão da Rapunzel, mas que não chegam a decolar.
O filme é ambientado num mundo permeado por vikings e celtas, algo que lhe confere ainda mais charme. As sequências musicais de Rapunzel num pub viking e no vilarejo celta são encantadoras, enquanto que outra sequência, de lançamento de balões iluminados ao céu, é de uma beleza e romantismo ímpar, especialmente se vistos numa sala de cinema que possua tecnologia 3D.

O fato é que, depois de John Lasseter assumir as rédeas criativas na Disney, os filmes daquele estúdio voltaram a ter a qualidade de antigamente, ainda que seguindo uma linha um pouco diferente.
“Enrolados” marca a estreia de Nathan Greno na direção de longametragens. Ele divide o cargo com Byron Howard, que antes dirigiu “Bolt”, uma das primeiras animações a serem lançadas em 3D, em 2008.
Esta Rapunzel da Disney dá sequência à tardia adequação das animações do estúdio ao formato CGI, mesmo que eles ainda utilizem partes do desenvolvimento das imagens em 2D. É também a continuação de uma boa sequência de filmes de princesa, iniciada com “Encantada” (2008) e “A Princesa e o Sapo” (2009).

O que vemos aqui é um longa divertidíssimo, de efeitos tridimensionais bem cuidados e visual deslumbrante. Nada como ter um John Lasseter como produtor mandachuva para salvar qualquer estúdio da decadência.