Entre Irmãos é uma refilmagem do longa Brothers (2004), coprodução Suécia/Dinamarca pouco conhecida de Susanne Bier (Coisas que Perdemos pelo Caminho). Essa nova produção foi dirigida por Jim Sheridan (Terra de Sonhos) e indicada a dois Globo de Ouro (melhor ator para Tobey Maguire e melhor canção). Felizmente, não ganhou nenhum dos dois prêmios, assim como não conseguiu nenhuma indicação ao Oscar.

A história tem como epicentro a personagem de Natalie Portman, Grace, casada com Sam (Tobey Maguire), com quem teve duas filhas. Às vésperas de ingressar numa missão militar no Afeganistão, Sam vai à prisão local para buscar o irmão, Tommy (Jake Gyllenhaal), preso por três anos por ter assaltado um banco.
Após algum tempo de missão, Grace recebe em casa os chamados messengers, militares incumbidos de dar a notícia da morte de companheiros durante as missões. Diante do choque da morte do marido, Grace encontra conforto no cunhado rebelde, que passa a ajudar-lhe a criar as duas meninas agora órfãs.

O filme tem um bom diretor, mas que perdeu-se nas suas escolhas. Tem um ótimo elenco, mas que por algum motivo não estava à vontade, com atuações travadas e apenas alguns lampejos que demonstram o talento do trio de protagonistas. Tinha um bom argumento, mas que não converteu-se num roteiro bem escrito.
O desenvolvimento da história se atropela (talvez um trabalho ruim de montagem), com um sequência de cenas de “recuperação” muito rápida da viúva e igualmente rápido o envolvimento dela com o cunhado. Muito rápida também a transformação de Tommy (Jake Gyllenhaal), que vai de bad boy a bom moço em pouquíssimos minutos. Um pouco mais de calma não fariam mal a ninguém e história teria sido mais crível e menos forçada.
Uma atuação que não posso deixar de comentar é a da menina Baille Madison, como a primogênita do casal Sam e Grace. Deram para a pequena atriz frases de gente adulta e a fizeram “caprichar” nas caras de sofrimento e “olhares amargurados”. O resultado: uma atuação antipática e falsa. Deu vontade de sacudir a menina e dizer: “desemburre esta cara de bulldog, menina-monstro!”.

Ao contrário da irmã fictícia, Taylor Geare está uma graça como a filha caçula, natural e verossímil. Além dela, Carey Mulligan (Educação) também aparece muito bem numa pequena ponta, crucial para a compreensão das atitudes posteriores de alguns personagens.
Além disso, a direção de arte parece ter sido contratada a toque de caixa e realizada com muita má vontade. Eram perceptíveis descuidos como tampar a logomarca de um celular com um adesivo quadrado e mal recortado ou um espelho embaçado somente num “pedaço perfeito”, na medida certa para não infringir alguma cláusula contratual de Tobey Maguire e não mostrar seu peitoral magro na fase de filmagem que ele teve que emagrecer, ficando quase raquítico. O bom senso mandaria que filmassem de outro ângulo ou que arrumassem outra solução para a cena, que não aquelas soluções constrangedoras. Parece coisa de gente ranzinza, mas acreditem! Quem faz filme sabe que aquilo não passa de desleixo total. Tive vergonha alheia.
Entre Irmãos é a prova de que de boas intenções o inferno está cheio.