Glórias Pires e Paulo Miklos formam um casal perfeito. Achou a afirmação absurda? Então prepare-se para curtir o delicioso É Proibido Fumar, de Anna Muylaert. Se eu fumasse, diria que o filme é uma boa tragada. Como não fumo, ele é uma comédia bacana, daquelas que você sempre vai lembar com carinho.

O filme tem um jeitinho de Durval Discos (2002), também de Anna, simpática comédia que mostra um homem comum se envolvendo em situação perigosa. Talvez esse seja o estilo da talentosa roteirista e diretora: mostrar pessoas comuns com problemas nada comuns.
Outro ponto parecido entre os dois filmes é que a música conduz a história. Em é Proibido Fumar isso fica perceptível desde a abertura - excelente, ao som de Taj Mahal, de Jorge Benjor. E, se em Durval Discos o protagonista é dono de uma loja de vinil, agora os personagens principais (sobre)vivem de música.
É Proibido Fumar conta a história de Baby (Glória Pires, brilhante), uma mulher de 40 e poucos anos, solteira, professora de violão e que leva uma vida bem mais ou menos. Fumante convicta, ela se interessa pelo seu novo vizinho Max (o ótimo Paulo Miklos), um cantor de churrascaria recém-separado. Entre uma baforada e outra, Baby investe no moço e mesmo sabendo que ele ainda arrasta um bonde pela ex-mulher, não desiste da conquista e está até disposta a parar de fumar para conquistar, definitivamente, Max.

Entre situações cotidianas, como a disputa de Baby com a irmã bem-sucedida (Marisa Orth, que faz com Glória uma das melhores cenas do filme) pelo sofá da tia que morreu, ou Max sendo obrigado a cantar samba por causa do dono da churrascaria em que trabalha, o casal acaba se envolvendo em uma situação surpreendente.
A surpresa pelo que acontece só não é maior do que a resolução do assunto. E aí você precisa ver É Proibido Fumar para descobrir o que rola. E ainda perceber que é possível fazer um bom filme com personagens que têm defeitos e mesmo assim são absurdamente encantadores.
O longa ganhou oito prêmios no Festival de Brasília e é um dos melhores da safra nacional recente. Vale cada risada, cada momento, cada canção de Miklos, cada baforada de Glória - que sim, possuem muita sintonia na tela. E merece aplausos para Anna Muylaert, que sabe o que está fazendo: cinema da melhor qualidade.