Especialistas são unânimes em afirmar que a maior dor pela qual um ser humano poderá passar é pela perda de um filho. Não é para menos, afinal isto significa a perda de um ser que veio de você e que é o significado máximo do amor pleno e incondicional. O thriller Os Esquecidos, do diretor Joseph Ruben, tem um roteiro que lida com este tema e com as implicações que um acontecimento deste tipo pode ter na vida de uma pessoa. A respeitada e excelente atriz Julianne Moore (que foi quatro vezes indicada ao Oscar) interpreta Telly Paretta, uma editora que viu a sua vida perder o significado após a morte do seu filho único Sam em um acidente de avião. Desde o prematuro desaparecimento do filho, Telly passou a viver uma rotina inflexível: olhar durante horas uma gaveta com os pertences de Sam e assistir a diversas fitas de vídeo com imagens do filho. Esta rotina levou-a a colocar em segundo plano o casamento com Jim (Anthony Edwards, o eterno Dr. Mark Greene do seriado E.R.) e a ter sessões freqüentes com o Dr. Munce (o ótimo Gary Sinise). De acordo com o terapeuta, Telly se apega muito às coisas. Ele quer que ela aprenda a deixar as coisas de lado. 
Num dia em especial, Telly acorda no que parece ser uma espécie de pesadelo. Nele, ela nunca teve um filho (apesar das suas lembranças sobre Sam serem vívidas) e o marido, os vizinhos e o Dr. Munce passam a tratá-la como um caso psicológico irreversível. Esta situação traz à tona uma série de questionamentos: qual das realidades vividas por Telly é a verdadeira? O que aconteceu de verdade com Sam e aqueles que a rodeiam? Então, ela vai à procura daquele que ela pensa que será o único a acreditar nela: Ashley Correll (Dominic West). Ash é um ex-jogador de hóquei famoso que, após a morte da filha Lauren (no mesmo acidente de avião que vitimou Sam), tornou-se alcoólatra. Ele e Telly eram os únicos a se mostrarem abalados com a morte dos filhos, vivenciando a dor da perda. Sendo que Ash literalmente se esqueceu de Lauren e não se lembra da existência dela. Na mente de Telly, ele está como os outros. Ela tem certeza de que não está louca e, por isso, tenta provar a todos os custos que Ash é como ela: sofre com a perda da filha e se recusa a esquecê-la. Quando Ash se dá conta da sua realidade, ele entra na busca de Telly pela verdade.

Os Esquecidos é um filme que está rodeado de talentos na frente e atrás das câmeras. Por isso, o filme está bem executado e atuado. O único problema é que o roteiro do filme é desastroso, absurdo e, de certa maneira, implausível. Se Telly, a personagem de Julianne Moore, luta para não esquecer; ao final do filme somos nós da platéia que faremos questão de esquecer aquilo que acabamos de assistir. |