"Estrada Para Perdição" (Road to Perdition) é um filme que tem tudo para se tornar um clássico. O filme de Sam Mendes (do excepcional "Beleza Americana") é técnicamente perfeito, tem interpretações excelentes e trata de um assunto que não envelhece; a história de pai e filho. Apesar disso, falta alguma coisa no filme, ele não me envolveu completamente.  | "Estrada Para Perdição" conta a história do matador profissional Mike Sullivan (Tom Hanks ótimo) que depois de um determinado acontecimento precisa fugir tendo como companhia apenas seu filho mais velho Michael (Tyler Hoechlin - também ótimo). |
O filme está repleto de cenas de uma beleza estonteante (como a do assassinato na chuva e as cenas finais, pra citar algumas) e isso fez com que em alguns momentos eu me lembrasse de "Barry Lyndon" de Stanley Kubrick, outro filme belíssimo mas frio. Depois de assistir ao filme fica a impressão de que Sam Mendes talvez o tenha feito pensando mais em agradar aos críticos do que qualquer outra coisa - depois de "Beleza Americana", todo mundo esperava ansiosamente pelo segundo filme do diretor e ele optou por não fazer nada muito "extravagante", com "Estrada Para Perdição" ele tira de suas costas o peso de ser diretor de apenas um filme e pode partir agora para - quem sabe - um projeto mais intimista. Destaco no elenco a participação do ótimo Jude Law, como um assassino que tira fotos das suas vítimas depois de mortas. A interpretação do ator é de uma qualidade imensa e ele merece uma indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante (também mereceu no ano passado pelo gigolô Joe de "Inteligência Artificial", mas foi esnobado pela Academia). Paul Newman (como o mafioso John Rooney) e Tom Hanks também estão ótimos, mas o destaque mesmo fica para Jude Law. Longe de ser um filme mediano "Estrada Para Perdição" merece todos os elogios que vêm recebendo, é cinema de qualidade em sua essência, mas fica devendo um pouco mais de calor humano.
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