Uma Família Bem Diferente


Comédia de péssimo gosto. Se Uma Família bem Diferente ganha por mostrar homofobia excessiva em que o mundo se encontra, perde por trazer alguns estereótipos irritantes às telas. O filme mostra como apenas um personagem desenvolvido de forma equivocada coloca toda uma produção a perder.

Uma família bem diferente deixa as suas marcas em apenas 96 minutos de duração: Eric vive para o hóquei. Agora, na faixa dos trinta, ele deixou sua carreira de jogador profissional para se tornar comentarista de esportes na TV. É uma vida de sonho! Mas quando o namorado de Eric, Sam, avisa que eles terão que cuidar temporariamente de um menino, o confortável mundo de Eric desmonta. Chega Scot, recém-órfão, um menino afeminado de 11 anos e o oposto exato de Eric. Assustados com a alegria de viver de Scot, Eric e Sam gentilmente afastam Scot dos perfumados cremes das mãos e de tudo o que for cor-de-rosa, buscando um passatempo mais "aceitável": o hóquei.

Todo o problema de Uma Família Bem Diferente esta no irmão de Sam. Ganha um doce quem adivinhar o local em que o personagem está, fugindo da responsabilidade e planejando mudar de vida, ganhar dinheiro e ainda por cima viver sob sombra, água fresca e belíssimas mulheres. Adivinharam? Ainda não? Pois é... estamos falando do Brasil.

Que Brasil é esse que Hollywood nos insiste em fazer aceitar? È absurdo ver como ainda existem filmes que cuidam do roteiro final como se esse ainda fosse o seu rascunho: nesse Brasil, mesmo que mostrado de forma ligeira, temos as mulheres, o local acolhedor da figa de bandidos internacionais e ainda por cima a língua espanhola. Desde quando o Brasil fala espanhol?

Apesar de apresentar o seu lado tocante, mostrando como a sociedade vive com a presença da homossexualidade, o filme perde a mão ao mostrar a personagem deslocada no Brasil. Uma Família bem Diferente é diferente de tudo aquilo que esperávamos: uma comedia dramática que abre espaços para discussões contemporâneas sobre relações homossexuais num mundo de aparentemente menos homofobia e mais tolerância.

Nota:
Crítica por: Leonardo Campos