Os Famosos e os Duendes da Morte


“Estar perto não é físico”, diz o adolescente protagonista do filme, em seu blog. A internet é seu único contato com o mundo. O universo real em que vive é uma comunidade rural alemã, no interior do Rio Grande do Sul. Mr Tambourine Man, como ele se denomina na internet, é fã de Bob Dylan e tem o sonho de assistir o seu show. O pequeno vilarejo começa a tornar-se pequeno para o seu crescimento e as suas descobertas como homem, até que surge na cidade um sujeito misterioso, que o fará reviver lembranças que o atormentam e o ajudará a abrir seus horizontes.

Diretor do vídeo-hit de youtube “Tapa na Pantera”, Esmir Filho foi uma das grandes apostas da produtora Sara Silveira para este ano. E deu certo. O filme estreou no Festival de Locarno, ganhou o prêmio de melhor filme no Festival do Rio, foi exibido no Festival de Berlim e em mais um monte de outros festivais.

Esmir é um cara antenado, que conseguiu colocar elementos de muita identificação com os jovens no seu filme, como a interação dos personagens em blogs, flickr e msn, a forma de colar nas provas da escola, o cabelo de emo, além das características emotivas, de jovens “sozinhos” à procura de um rumo e de encontrar um lugar de identificação na sociedade.

Os Famosos e os Duendes da Morte é baseado no romance homônimo de Ismael Caneppele, que também assina o roteiro e faz o papel do homem misterioso que retorna à cidade após um acidente de alguns anos. A produção é parecida com a de Houve Uma Vez Dois Verões, do Jorge Furtado, só que com a densidade e a angústia permanente dos adolescentes de Paranoid Park, do Gus Van Sant.

A trilha sonora foi composta para o filme, em inglês, o que demonstra a visão dos produtores, de pegar um filme independente, mas muito bem cuidado, para distribuir para o mercado externo. Tomara que consiga, porque o filme é digno de todos os prêmios e boas críticas que tem recebido.

Algumas pequenas falhas de continuidade, como a cena do carro atravessando uma pequena ponte, que ali parecia interminável, ou incoerente do conjunto fotografia/maquiagem, que faz questão de frisar as espinhas do protagonista nos momentos de florescer da adolescência (momentos oportunos), mas esconde-os na maioria das cenas, deixando o menino com a pele de neném. Tudo bem que filmar com adolescentes é um problema porque, num belo dia, o rosto amanhece cheio de espinhas, mas das duas uma: ou assumia as acnes ou as escondia por todo o filme, já que elas podem complementar a leitura do filme.

Mas são falhas muito pequenas diante da delicadeza do tema, da linda fotografia – que alterna poesia e modernidade, do roteiro, da direção e das interpretações encantadoras, tanto dos jovens quanto dos avós do protagonista, naturais e tímidos. Até o mistério, foco da primeira metade de filme, é revelado com naturalidade, numa conversa ótima entre o Mr Tambourine Man e seu amigo Diego.

Os Famosos e os Duendes da Morte é uma das melhores surpresas deste ano. Extremamente simpático e original.

Nota:
Crítica por: Fred Burle (Fred Burle no Cinema)