Fim dos Tempos

Assistir a um filme de M Night Shyamalan é uma tarefa complicada para qualquer um. Todos vão ao cinema com aquela intenção de rever algo inusitado e chocante como 'O Sexto Sentido', e voltar a sentir aquela sensação espantosa que o diretor nos cedeu com seu filme. Isto não vai acontecer. Shyamalan pode continuar fazendo filmes talentosos, mas continua sendo assombrado pelo seu melhor filme, e as comparações continuam inevitáveis.

E 'Fim dos Tempos' é um ótimo filme b, como o próprio diretor revela. Se tivesse sido dirigido por um nome desconhecido, teria agradado a crítica e o público. Mas não foi. Tudo começa sem um aviso claro. Parece surgir do nada. Em questão de minutos, irrompem nas principais cidades americanas episódios de mortes arrepiantes e estranhas que desafiam a razão e surpreendem a mente por sua chocante capacidade de destruição. O que estará causando esse repentino e total colapso do comportamento humano? Será um novo tipo de ataque terrorista, uma experiência mal-sucedida, uma arma diabolicamente tóxica, um vírus fora de controle? Propaga-se pelo ar, pela água... Mas como?

Para Elliot Moore professor de Ciências de um colégio da Filadélfia, o que mais importa é encontrar uma forma de escapar ao fenômeno misterioso e mortal. Embora ele e sua mulher Alma estejam no auge de uma crise conjugal, eles pegam a estrada, primeiramente de trem, depois de carro, junto com um amigo de Elliot, o professor de Matemática Jullian e sua filha de 8 anos Jess, e seguem em direção às fazendas da Pennsylvania, onde esperam estar fora do alcance dos apavorantes e crescentes ataques. No entanto, logo fica claro que ninguém - e nenhum lugar - está a salvo. Esse fenômeno aterrorizante e invisível não pode ser vencido. Somente quando Elliot começa a descobrir a verdadeira natureza daquilo que os espreita lá fora - e o que desencadeou essa força que ameaça o futuro da humanidade - é que vislumbra uma ponta de esperança de que sua família possa escapar do que está acontecendo.

A maneira calma como Shyamalan trata os acontecimentos chegam a assustar quem assiste o filme: em momento algum, os protagonistas entram em pânico, ou ficam nervosos, ou são evacuados de grandes cidades... Mas ao continuar assistindo o filme, você acaba entendendo que 'Fim dos Tempos' é, na verdade, uma história de amor.

Mark Wahlberg está incrível no papel do cara calmo e apaixonado, e a bela Zooey Deschanel foi um incrível achado do diretor. As cenas em que ambos resolvem seus problemas amorosos (que são muitos), são as cenas em que o cinéfilo consegue ter a maior identificação com o filme. Independente de o mundo acabar, eles estão unidos. E este relacionamento o diretor trata de maneira clara e aprofundada.

'Fim dos Tempos' pode não ser o melhor trabalho de Shyamalan, mas ainda assim é um ótimo suspense. Vá ao cinema sem pensar em 'O Sexto Sentido', ou em reviravoltas finais, e a diversão virá.

Nota:  
Crítica por: Renato Marafon
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