Flor do Deserto


Sinopse:
A vida da modelo Waris Dirie, que nasceu em uma tribo nômade e foi tentar a vida em Londres. Ela denunciou a mutilação genital feminina e tornou-se embaixadora da ONU.

A vida de qualquer pessoa é formada por momentos bem diferentes entre si. Por isso, para dar uma unidade narrativa mais coesa, as cinebiografias usam de algumas ferramentas. Em Flor do Deserto (Desert Flower), a saída foi não seguir a linearidade cronológica dos fatos para contar a vida de Waris Dirie.

Mesmo com tal preocupação, o andamento do filme carece de fluidez. Waris nasceu em uma tribo nômade no meio da África e tornou-se top model. Nessa jornada, muitas mudanças tiveram de ocorrer: ela não falava inglês, não usava salto alto e era presa a tradições de seu povo. Tentar mostrar todas essas profundas transformações em duas horas e não atropelar as coisas é uma missão impossível.

Uma possibilidade seria fazer um recorte e focar-se em menos assuntos. A luta dela contra a mutilação genital é o com certeza o tema mais emocionante e interessante. Por outro lado, seu casamento para conseguir um passaporte europeu poderia ser um dos temas suprimidos.

Com a pretensão de mostrar coisas demais, algumas passagens que o espectador queria prestar atenção acabam aceleradas ou esquecidas. O momento em que Waris abandona o véu mulçumano não fica claro e o treinamento para que ela consiga se portar como modelo fica forçado, por exemplo.

Com isso, Flor do Deserto fica tão concentrado em contar toda a história que perde oportunidades de dar brilho à produção. A reconstrução de época é fraca e os figurinos são decepcionantes, se considerarmos o apelo que o filme tem junto ao público interado no mundo fashion.

Felizmente a vida de Waris Dirie é tão comovente e inspiradora – não só para mulheres – que salva a fita e faz a sessão valer a pena.


Nota:
Crítica por: Edu Fernandes (CineDude)