Sinopse: François apaixona-se por Carole, uma mulher que ele fotografou. O problema é que Carol é casada e o amor entre os dois enfrentará obstáculos.
Em A Fronteira da Alvorada (La Frontière de l'aube), o diretor Philippe Garrel (Amores Constantes) reprisa a estética preto-e-branco que utilizou em seu trabalho anterior. Com o uso de fusão do tipo íris* entre as cenas, a direção de fotografia e os efeitos especiais primitivos, fica clara a alusão para o cinema mudo. Principalmente as produções que traziam uma atmosfera de mistério, filmadas no começo do século XX.
Talvez fosse uma idéia mais interessante se a produção fosse mesmo muda, uma vez que o projeto de som é pavoroso. Em vários momentos, a mixagem e a edição dos diálogos denuncia a manipulação dos planos sonoros. Outra falha de principiante está na total ausência de ambiente sonoro, a não quando o mesmo é captado acidentalmente enquanto se faz as cenas. Se houvesse a mínima preocupação de compor os ambientes, a incompetência praticada poderia ser mascarada.
A duração é bem menos dos que as três horas de Amores Constantes, o que não quer dizer que A Fronteira da Alvorada seja uma obra que prime pela síntese e coesão. Várias cenas são muito alongadas, quando não são desnecessárias para o desenvolvimento da trama. Outro problema resida na própria estrutura narrativa, depois de investido muito tempo no conflito inicial do amor proibido de Carole, há uma mudança brusca nos rumos da história. A impressão que fica é que se começou a assistir a um novo filme, cujo final é muito previsível.
Provavelmente apenas os fãs do diretor se interessarão por assistir seu novo trabalho, mas também é recomendável para quem gosta da utilização de estéticas passadas em produções contemporâneas. Quem não pertencer a nenhuma dessas tribos, não deve assistir à fita.
* Fusão em íris é quando uma cena acaba com a tela ficando preta, usando um círculo que se fecha na cena. Muito comum em fim de desenhos animados.