A discussão dos malefícios do tabagismo já é mais do que conhecida. O documentário Fumando Espero escapa da repetição e foca-se no processo de desintoxicação dos fumantes. Nos mesmos moldes de Supersize Me (2004), a própria diretora submete-se pelo processo que é o objeto de estudo do filme. Ao invés de se entupir de hambúrgueres, a simpática Adriana Dutra consulta médicos para obter ajuda em largar seu vício. O carisma da cineasta é com certeza o melhor aspecto da produção, seus relatos sinceros causarão identificação com o espectador que pode se reconhecer na mesma situação, ou lembrar de um conhecido passando pelo mesmo martírio.
Provavelmente por ser dirigido por uma fumante que quer largar os cigarros, o documentário acaba ganhando muita imparcialidade. Ao mesmo tempo em que ex-fumantes dividem suas experiências, fumantes convictos e amantes da nicotina declamam declarações de amor ao tabaco. Em outro embate; depoimentos de representantes de associações que combatem o cigarro são comparados com os argumentos de publicitários que preferem ver propagandas do produto.
Além das discussões, Fumando Espero é bem informativo. A história do fumo, desde os índios norte-americanos, passando pela nobreza européia e chegando nas estrelas glamourosas do cinema, é contata em inserts. Para agilizar a experiência, animações e uma vasta pesquisa de filmes ilustram fatos curiosos e estatísticas sobre o assunto.
Só por trazer novos pontos de vista para uma questão que já parece esgotada, o documentário já é válido. Suas qualidades positivas e as risadas que serão dadas por causa das engraçadas confissões dos depoentes (alguns bem famosos) fazem dele uma ótima opção para quem quer se divertir e se informar ao mesmo tempo.