Gran Torino

O novo trabalho de Clint Eastwood pode surpreender. Ele destoa dos seus filmes mais recentes. Sinais de inquietude criativa desse cowboy de 78 anos de idade. Se você estava acostumado com clima sombrio de "Sobre Meninos e Lobos", "Gran Torino" terá uma luminosidade surpreendente.

Em um parágrafo: Eastwood é Walt Kowalski, ex-combatente da guerra da Coreia, altamente preconceituoso, preso ao passado. Ele sente raiva por seu bairro ser 'tomado' por coreanos. E ao defender seu jardim, salva um deles.

No começo, encontramos um Sr. Kowalski amargurado com a perda da esposa, a indiferença e interesse dos filhos, a raiva dos estrangeiros e a desilusão com os rumos do seu país - como se os EUA vivessem em uma decadência moral.

O Sr. Walt irá mudar após o envolvimento com os vizinhos. E fica a certeza: se um homem como aquele pode se tornar melhor, qualquer um pode. Mas como se dará essa mudança, vale conferir.

A atuação de Eastwood é impecável: o típico velho rabugento, inadaptado ao presente. Ele consegue equilibrar o lado dramático e caricato da personagem. O tom de deboche das suas rabugices se completa com a música militar que pontua o filme.

O lado rabugento de Walt deixa as coisas leves. A ironia dos diálogos, de uma só vez, mostra a face ridícula dos preconceitos e derruba o discurso politicamente correto.

A atuação de Eastwood como 'Wally' foi muito elogiada pela crítica, coisa que confirmamos. O restante do elenco também não deixa a barato, em especial o padre e a mocinha coreana.

E, claro, o diretor Eastwood nos oferece, como de praxe, um final inesperado, com aquela dose de emoção edificante.

P.S.: aguardem para ouvir a música durante os créditos. Reparem em quem a canta.

Nota:
Crítica por: Georgenor de S. Franco Neto
Site: www.transversoes.blogspot.com