"Hairspray - Em Busca da Fama" é mais uma tentativa de John Travolta em voltar por cima nos cinemas, já que a maioria de seus últimos filmes não foi bem de público ou crítica (como A Senha, Brigada 49 ou Be Cool). Para uma volta triunfal, nada melhor do que retornar as origens: os musicais. Alçado ao status de estrela com "Nos Embalos de Sábado à Noite" e "Grease - Nos Tempos da Brilhantina", travolta aceita o desafio de se travestir de mulher e interpretar uma mãe dos anos 60.

Ao lado de Travolta, o nada criativo diretor Adam Shankman (de "A Casa Caiu", "Operação Babá" e "Doze é Demais 2") consegue um excelente elenco para contar a história de Tracy Turnblad, jovem gordinha que quer ser dançarina de tv, enquanto os EUA passam por um delicado momento entre brancos e negros: Chistopher Walken (de "Click"), interpreta o marido de Edna (Travolta) e bom pai de Tracy (Nikki Blonsky, muito carismática). Ainda temos a cada dia mais carsimática Amanda Bynes como Penny, melhor amiga da protagonista; Zac Effron (de "High School Musical", como interesse amoroso de Tracy e Michelle Pfeifer (atualmente também em cartaz com "Nunca É Tarde Para Amar"), como executiva do canal que transmite o programa e mãe da principal dançarina do programa e projeto de vilã, Amber Von Tussle (Brittany Snow). Ainda temos James Marsen (de "X-men"), como Corny Collins) e Queen Latiffah (de "Táxi"), como Motormouth Maybelle.

Com uma trama e protagonista cativantes, é impossível não se pegar torcendo para que a garotinha fora dos padrões consiga vencer as barreiras e se tornar dançarina do tal programa. Afinal, nos anos 60 os EUA passa por grandes transformações e, como a própria protagonista diz "é o momentos dos diferentes. Além da participação como dançarina, Tracy busca o fim da segregação, a união entre brancos e negros. O interessante no filme é justamente isso: uma comédia consegue retrarar a inadequação e o preconceito de uma maneira absolutamente leve, sem perder o ponto chave de cada uma das discussões.

Conseguindo boa atuação de grande parte do seu elenco (principalmente Nick Blonsky, Michelle Pfeiffer e Amanda Bynes), o diretor só mostra que pecou na escolha de Travolta. Afinal, se na versão original do cinema e para a peça da Brodway Edna é interpretada por homossexuais (uma polêmica, já que seriam homens interpretando uma mulher conservadora), a escolha de John não passa de uma opção como mera curiosidade, e os quilos de maquiagem só fazem com que o ator entregue uma interpretação fraca, além de influir negativamente em seus números musicais. Além disso, Queen Latiffah não consegue fugir do papel de durona que faz desde "Chicago", e entrega mais uma interpretação igual a tantas outras, além dos números musicais mais chatos.
Números musicais inclusive são parte do problema do longa: há em excesso. Com números musicais a menos e talvez 15 ou 20 minutos menor, sem dúvidas este "Hairspray" seria muito mais interessante.Entretanto, ver "Hairspray" não deixa de ser interessante, seja por se descobrir mais uma jovem atriz talentosa, ou por entender como, naquela época, era capaz de se ter um cabelo tão bem armado. Dá-lhe hairspray.