O Homem do Futuro
25.08.2011
Thais Nepomuceno

O cinema brasileiro vem crescendo nos últimos anos, e com isto, a variedade de gêneros produzidos. Já se têm registro das mais variadas produções. Mas há pouco no que se diz respeito a ficção científica. O Homem do Futuro, longa de Cláudio Torres (A Mulher Invisível), é uma comédia romântica mesclado com ficção científica, e pode abrir portas pra este gênero, pouco fomentado no cinema nacional.

Um retorno no tempo, num fatídico dia 22 de novembro de 1991, que foi decisivo na vida de Zero (Wagner Moura); que o transformou no amargo estudioso das ciências exatas, é á trama deste longa; e neste retorno, ele decide modificar suas escolhas, a fim de reconquistar o amor de sua vida.

Com roteiro do próprio diretor, a trama se embasa não apenas no romance não resolvido entre Zero e Helena, mas também em algumas teorias e dados da física quântica; a fim de dar verossimilhança à história.

Questões de fundamentos morais, como a ética de trabalho e de formação; são colocadas em prova, à partir do momento em que Zero, tenta modificar o passado com seus conhecimentos do futuro. Mas o mais interessante é ver como Claudio Torres resolve questões científicas na história. Iniciando com diálogos em off do casal, os espectadores são atraídos por pequenas dicas dos acontecimentos deste trágico dia para Zero. Só no final do filme, Claudio entrega para os espectadores a história completa.

A direção do filme demonstra maturidade na abordagem de uma comédia romântica e um ecstase na produção de ficção científica. A fotografia denuncia as lembranças de Zero, e modifica de acordo com a realidade que ele se encontra. Wagner Moura e Alinne Moraes imprimem química entre o casal, e empatia com os espectadores que ficam na expectativa da resolução de sua história. Já Fernando Ceylão, decepciona; perdendo o timming das piadas, seu personagem que poderia ser o núcleo cômico, se perde perto do talento e maestria de Wagner Moura, que consegue diferenciar três fases distintas do personagens, em diferentes planos com diferenciação e interlocutar consigo mesmo; como se fossem três pessoas diferentes, uma delas é um jovem universitário nerd.

A trilha composta por músicas, que fazem parte das características dos personagens (como Freak do Radiohead, que é sobre um nerd, pode ser comparado ao personagem de Moura) e da história (como Tempo perdido do Legião Urbana, que exemplifica a relação do casal). Em pleno anos 2000, a história migra pro início da década de 90, e demonstra um novo olhar sob o passado.

Comparações com demais produções serão inevitáveis, uma vez que o tema é o retorno ao passado. Um primeiro filme, que faz muitas referências na trama é Efeito Borboleta, onde Evan (Ashton Kutcher), tem o poder de retornar ao passado e modificá-lo, o faz para salvar o amor de sua vida; no final do longa ele percebe que ficar longe do seu amor é o melhor a ser feito e destrói o mecanismo utilizado. Algo parecido ocorre no filme de Torres. Além disto, algumas modificações e ambições de Zero podem ser comparadas à de Evan. Outro longa muito similar a esta trama é A Ressaca, com John Cusack. Mas neste, Torres rouba apenas algumas piadas (como as com Michael Jackson), algumas previsões (como uma cena em que Moura está num bar e aposta num jogo de futebol que ele viu, o mesmo acontece no filme A Ressaca), a descoberta da volta no tempo, o uso da criação da Google (é utilizada da mesma maneira nos dois filmes) e o final também (este não será revelado).

Apesar dessas similaridades, Homem do Futuro é uma aposta interessante do cinema nacional na ficção científica e representa uma consolidação do diretor, depois de Mulher Invisível, ele demonstra facilidade nas comédias românticas.

 

Nota:

 

Crítica por: Thais Nepomuceno (Blog)