Apenas dois anos se passaram depois da grande estreia da Marvel como estúdio independente, com o lançamento e enorme sucesso de Homem de Ferro, que obteve arrecadação de mais de US$ 580 milhões ao redor do mundo.

Jon Favreau – mesmo diretor da primeira parte – recebeu a incumbência de dirigir a sequência, que conta novamente com a dupla Robert Downey Jr e Gwyneth Paltrow nos papéis de Tony Stark e Pepper Potts, respectivamente.
Homem de Ferro 2 inicia-se exatamente no ponto em que o primeiro filme parou: Tony Stark anuncia que é o Homem de Ferro e a sensação de que o mundo está protegido é instaurada. O problema é que o governo começa a pressioná-lo para que ele forneça as informações da tecnologia armamentícia que usa. As informações caem nas mão erradas e surge um inimigo à sua altura, que agora pode espalhar o caos – o que rende sequências ótimas de ação, inclusive no GP de Mônaco de Fórmula 1, filmado no ano passado.

O argumento é muito bom, contextualizado à nossa realidade, como o primeiro o fazia, ao ligar a história à Guerra do Afeganistão. Mas, após alguns minutos de filme, tudo que se segue é uma exagerada ficção, quase (mas não totalmente) reduzida à típica guerrinha entre o bem e o mal. Mesmo assim, Favreau consegue, mais uma vez, equilibrar as sequências de ação com o desenvolvimento dos personagens, ao contrário do erro que acomete muito os estúdios ao realizarem sequências: a megalomania de achar que mais (ação, efeitos, barulho) é melhor.
Robert Downey Jr continua puxando a responsabilidade para si – com pinta ainda mais aguçada de popstar e cada vez mais convencido –, mas dessa vez ele tem a seu lado interpretações tão apaixonadas quanto a dele. Gwyneth Paltrow está mais à vontade e entregue à sua Pepper Potts, Don Cheadle substitui bem o personagem James Rhodes – antes interpretado por Terrence Howard – e Scarlett Johannson empresta toda a sua sensualidade para a ótima Natasha Romanov. Mas quem rouba a cena é Mickey Rourke, excepcional em seu trabalho de caracterização e interpretação do vilão Ivan Vanko, russo de sotaque carregado, que associa-se a Justin Hammer, para tentar controlar a tecnologia desenvolvida pelas indústrias de Tony Stark.

Para quem gosta de encontrar pistas sobre o futuro do herói ou das adaptações Marvel, é possível identificar uma pista, quando Tony Stark pega o projeto “Os Vingadores” e o coronel James Rhodes diz algo do tipo: “acho que este projeto vai ficar para depois”. Será?
O fato é que Homem de Ferro 2 tem potencial suficiente para manter ou aumentar o sucesso do primeiro, garantindo outras sequências. Curiosamente, na minha sessão – vazia, com cerca de 20 pessoas – só haviam homens. Pelas reações, o público masculino ficará satisfeito com o resultado. Resta saber se nas mulheres o efeito será o mesmo.

O longa não tem os méritos de inovação de roteiro – este aqui tenta fazer referências à situação mundial atual e à falsa ideia de paz, mas não o faz com propriedade e conteúdo –, mas, no quesito entretenimento, é tão eficiente quanto a primeira parte. O suficiente para não decepcionar a maioria.