O Homem Que Copiava

Originalidade! Esta é a primeira coisa que nos vem à cabeça quando acabamos de assistir O Homem que Copiava, segundo longa-metragem de respeitadíssimo diretor e roteirista gaúcho Jorge Furtado. O primeiro foi Houve uma Vez Dois Verões de 2002 com elenco quase todo de Porto Alegre e que apesar da crítica positiva passou praticamente em branco para o público. Tomara que isto não aconteça agora pois a diversão é garantida.


André (Lázaro Ramos) é um rapaz de 19 anos que trabalha como operador de uma fotocopiadora em uma papelaria, entre um xerox e outro aproveita para ler alguma coisa do que está fotocopiando, trechos de todo tipo de leitura, seus conhecimentos são escassos retalhos de informações aleatórias e ele as relaciona com a sua vida. Vida esta que é bastante dura, tem que sobreviver com R$ 290,00 por mês e a falta de recursos ronda seu cotidiano. Ele quer ganhar dinheiro a qualquer custo como a maioria dos jovens de sua idade e condição social. Trabalha com ele na papelaria, Marinês (luana Piovani) garota fútil e despudoradamente sincera. André nutre paixão platônca por sua vizinha Silvia, e a vigia diariamente através de sua janela. As referências a Janela Indiscreta de Hitchock e Não Amarás de Kieslowski são claras e evidentes. Mas são apenas referências mesmo, esta obra é única. O quarto personagem importante é Cardoso (Pedro Cardoso) um patético vendedor de cacarecos horríveis, que não vê a hora de transar com Marinês e que vira parceiro de André nas suas malandragens. Você deve estar pensando que a história não tem nada de excepcional, mas o que a faz especial e criativa é justamente a sua narrativa, fragmentada, exatamente como a mentalidade do protagonista. Essa colagem de gêneros é o principal atrativo, a montagem demorou mais de um ano para ficar pronta, até animação foi usada para ilustrar a infância de André. E tudo fica atraente e ágil, as duas horas voam no cinema. A produção de R$3 milhões é muito bem utilizada.


Repare nos detalhes que o diretor colocou durante todo o filme, quase tudo no filme aparece pelo menos duas vezes, o Cristo Redentor é mostrado mesmo que subliminarmente, 6 vezes, Van Gogh duas e assim por diante. Os diálogos são saborosíssimos e inteligentes. O elenco todo está muito bem, talvez a amizade de cardoso e André seja uma pouco forçada mas não chega a ser algo muito grave. O que é bastante grave é a falta de moralidade mostrada, é quase imperdoável o olhar condescente, para dizer o mínimo, sobre os atos dos personagens, chegando a ser um péssimo exemplo para os jovens. Não queremos ser conservadores, mas alguém que é falsificador, assassino e ladrão é um bandido sim. Mas o filme o mostra com uma benevolência tal que pode até irritar alguns. No saldo geral, O Homem que Copiava é uma excelente fita e vale a pena ser conferida.

Nota: 
Crítica por: Andra Don
Site Oficial : ---

 


 


 

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