A Inquilina
19.07.2011
Leonardo Campos

Certas atrizes adentram em projetos tão profundamente intensos e complexos que ao sair, topam fazer qualquer atividade fílmica para desanuviar, desde protagonizar filmes de baixo orçamento e dimensão, ou até mesmo se envolver em polêmicas constrangedoras na ávida cultura da mídia.

Hilary Swank, colecionadora de bons papéis e dois Oscars na estante, assume a produção executiva e protagoniza este suspense formuláico, que em muito parece uma extensa colcha de retalhos de filmes morninhos que assustavam as noites da Rede Globo nos primeiros anos da década de 90: os filmes de suspense do Supercine.

Acontece o mesmo de sempre: a garota que muito se dedica à profissão e mora sozinha numa casa ou apartamento, estranhamente distante ou sombrio, começa a ser perseguida por um psicopata. Algumas pessoas que rodeiam a história e se tornam prováveis testemunhas da histeria final, são dizimadas pelo assassino. Nos minutos finais há muita histeria, sustos fáceis e perseguição.

A fórmula básica é base do roteiro de mais um filme deste tipo: A Inquilina, produzido por Swank e dirigido por Antti Jokinen, não é excessivamente horrendo: é apenas mais do mesmo. A culpa talvez seja da falta de habilidade com cinema: Anttié diretor de videoclipes e já produziu Celine Dion, Shania Twain, Anastacia, Thalia, e outras cantoras.

Hillary é a Juliet Dermer (Hilary Swank) é uma jovem médica solitária, magoada com a relação amorosa recentemente dissolvida, devido a uma traição do noivo na própria cama do casal. Ao se mudar para um novo apartamento, torna-se bem próxima do seu vizinho. Num estranho flashback, aos 30 minutos de filme descobrimos que ele é um psicopata e que provavelmente a matará se não obter o que tanto deseja: ela. A cena inicial já se apresenta exagerada, mostrando Hilary cuidando de um paciente durante uma cirurgia: vísceras, ferramentas de corte e outros detalhes totalmente desnecessários ao contexto, exagerado, digamos. Interessante é a jogada da taça de vinho que escapa das mãos da personagem em três momentos: na banheira, no quarto e na cozinha. Mesmo que óbvio, sinaliza mau presságio, muito mais interessante que o sangue esparramado na tal cena do centro cirúrgico.

A Inquilina é uma versão de luxo dos filmes de suspense citados anteriormente, exibidos no Supercine. Jodie Foster já tentou o mesmo em O Quarto do Pânico e Sandra Bullock em Cálculo Mortal. Apesar de luxuosamente protagonizados, todos os exemplos abordados exageraram na fraqueza. Tramas mornas que não conseguiam elevar a tensão ao máximo.

Apesar dos problemas relatados, Jeffrey Dean Morgan se sai muito bem como o vilão da história: com uma frieza instigante e cinismo irritante ele consegue dar vida ao algoz do enredo, mesmo que a trama seja bem simplória. Hillary mostra pela segunda vez que seu forte mesmo é emplacar grandes dramas, como Menina de Ouro e Meninos Não Choram. Escritores da Liberdade também é outro filme marcante. Em 2007, a crítica se decepcionou ao ver a atriz protagonizar o suspense A Colheita do Mal, suspense sobrenatural que atualizando as sete pragas bíblicas do Egito, mostrou-se um projeto ambicioso, porém, emocionalmente estéril.

A Inquilina marca o retorno da lendária produtora Hammer, que sempre atuou com filmes de mistério. Recentemente lançou Deixe-me Entrar, produção de terror aclamada pela crítica. No final, A Inquilina lembra bastante os filmes da saga Sexta-Feira 13, num jogo de gato e rato até os créditos finais. Christopher Lee surge como o avô do algoz, August, que através de alguns contra planos da narrativa, é visto com bastante asco pela personagem de Hilary. Coitada. Nem imaginava que o mal residia no neto. Como se diz no popular, o cão quer um vizinho desse.

Nota:

Crítica por: Leonardo Campos