Devido a Instinto Selvagem 2, muito tem se falado da beleza de Sharon Stone aos 48 anos. Também já foi alardeado a quatro ventos que o filme é uma verdadeira catástrofe. Mas, vamos ser justos: em ambos os casos, nem uma coisa, nem outra. Para começar, Stone não está tão bonita assim. A loira apresenta no filme uma aparência plastificada em alguns momentos estranha, até. Magérrima, com bem menos curvas que no longa original de 14 anos atrás, a atriz faz o que pode para manter o ar de eterna juventude. Ela se expõe bem pouco e em todos os sentidos: tem poucas cenas de nudez (diga-se de passagem bem mais rápidas que no filme original), usa muita maquiagem e ainda economiza na atuação. 
Talvez em uma das piores performances de sua carreira, Sharon Stone interpreta a escritora-psicopata Catherine Tramell com a mesma expressão de mulher fria e fatal o tempo todo. Mas, apesar desta canastrice, o filme dirigido por Michael Caton-Jones (Rob Roy, O Chacal) não é tão ruim assim. A trama até que prende a atenção e se o espectador não exigir algo tão bom quanto o primeiro longa pode até se divertir. A começar pela cena legal de abertura: após, digamos, ser satisfeita por um astro do futebol enquanto dirige um possante Spyker Laviolette C8 em alta velocidade pelas ruas de Londres, Tramell joga o carro no rio Tamisa, matando afogado seu novo amante. A partir daí, sua conduta será analisada pelo psiquiatra Michael Glass (o pouco conhecido David Morrissey, de Fora de Rumo), que logo entrará no jogo de intrigas da loira. Em todo o desenrolar da trama, o diretor Caton-Jones faz um nítido esforço para manter o clima de suspense, recorrendo à constante música ao fundo, a várias reviravoltas e às aparições inesperadas de Catherine Tramell que muitas vezes soam involuntariamente engraçadas. Não há como não se divertir com as cenas em que a mulher fatal aparece subitamente com cabelo propositadamente despenteado, com uma camisa transparente ou durante o enquadramento que começa no tamanco da atriz, revelando que a doidivanas aguarda o psiquiatra sentada sobre uma mesa. Parece até coisa do Saturday Night Life. 
Um pouco menos de pose por parte de Sharon e uma direção mais descontraída poderiam ter colaborado para tornar o filme melhor. O resultado, por exemplo, não agradou ao público norte-americano, já que a produção fracassou na bilheteria logo em sua estreia. Há, ao menos, um consolo para o time de Instinto Selvagem 2: Sharon Stone, o próprio filme e, claro, o diretor, parecem - desde já ter vaga garantida entre os finalistas do Troféu Framboesa de Ouro, que elege sempre com muito bom humor as piores produções do ano nos EUA.
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