J. Edgar
27.01.2012
Rod Carvalho

Em 1998, quando a vida do saxofonista Charlie “Bird” Parker ganhou as telas, Clint Eastwood conseguiu mostrar que era capaz de dirigir um longa que proporcionasse um retrato convincente de uma personalidade mundialmente conhecida, sem apelar para exageros dramáticos piegas ou se quer minimizar passagens pesadas da vida do cidadão. Seu Globo de Ouro de melhor diretor não me deixa mentir.

Porém, com o passar dos anos e alguns longas depois, Clint pareceu ter dado o braço a torcer ao sistema pipocão de Hollywood ao dirigir “Invictus”, onde retratou de forma melosa o famoso episódio da vida de Nelson Mandela, no qual ele usa a copa mundial de rugby, em 1995, para unir brancos e negros contra o apartheid, no intuito de unificar a África do Sul.

Assim sendo, num misto de redenção e vergonha na cara, Eastwood resolveu voltar a brincar de gente grande tomando pra si a responsabilidade de reproduzir em película a vida enigmática do poderoso chefão do FBI, J. Edgar Hoover.

Extremamente inteligente, temido e admirado, “J. Edgar” (J. Edgar) escondia um lado confuso e um tanto medroso que fazia parte do quebra-cabeça que compôs sua trajetória dentro da famosa agência americana de espionagem. Dando vida a mais um personagem conturbado em sua carreira, Leonardo Di Caprio disseca com extrema perfeição os famosos trejeitos característicos de Hoover, além de incorporar com extrema elegância os momentos de angustia, paranóia e os conflitos com sua homossexualidade.

Clint, como era se esperar, capricha na trilha sonora de sua autoria e encarrega mais uma vez seu querido amigo, Tom Stern, para delinear com precisão a exuberante fotografia. O que fica mesmo a desejar é a montagem um tanto lenta que acaba por entregar a fraqueza do roteiro, e a maquiagem que, ao invés de mostrar uma velhice realista, acaba nos remetendo ao incrível mundo da Madame Tussauds.

Apesar das pequenas irregularidades na produção, Eastwood alcança um resultado satisfatório ao desvendar o lado obscuro dessa figura obscura e controversa.

 

Nota:

 

Crítica por: Rod Carvalho