Depois de sete anos, Robert Redford se saiu bem no novo papel: de diretor. "Leões e Cordeiros" narra três 'diálogos': a primeira história mostra uma entrevista concedida por um Senador (Tom Cruise) à uma repórter (Meryl Streep) onde tenta vender "a mais nova estratégia militar"; a segunda, dois jovens militares americanos (Derek Luke e Michael Pena) caem em uma montanha no Afeganistão na linha de tiro dos talibãs; a terceira, a tentativa de uma professor de ciência política (Robert Redford) convencer um aluno promissor (Andrew Garfield) a continuar freqüentando as aulas.

Cada dupla em um ponto diferente e as histórias são sutilmente interligadas: enquanto o senador ressalta as qualidades da "mais nova estratégia", os dois soltados feridos expõem o seu fracasso; esses dois soldados, foram alunos do professor e se alistaram para dar um sentido a vida; o professor tenta convencer o aluno brilhante a continuar nas aulas; o aluno brilhante põe o dedo nas feridas políticas dos EUA e do Senado.
Cada um desses eixos narrativos expõe um pouco o fracasso da política externa americana.
Enquanto o Senador - muito bem interpretado por Cruise - vai expondo a "nova estratégia" a Janine Roth, mais se percebe os furos no discurso que sustenta a "guerra contra o terror". A sensação é confirmada depois que Janine se recusa a contribuir para a propagando pró-guerra. Nesse diálogo, a conivência entre a imprensa e o governo é apontada com palavras inteiras. A imprensa não só podia, como devia se opor aos absurdos da guerra. Mas se calou. E continua se calando, mesmo com a indignação de Janine.

No confronto entre aluno e professor, o lado humano, íntimo dos sofrimentos provocados pela guerra aparece mais claro para o espectador. Também a relação entre os dois soldados, feridos, deitados na neve, usando as últimas balas contra o inimigo expõe a o sofrimento e solidariedade de dois velhos amigos.
No contraponto entre a fala do Senador e os acontecimentos no campo de batalha, fica obvia a inutilidade da guerra e seu uso eleitoreiro.
O filme não fica só nas acusações. Somos convocados a levantar a bunda da cadeira de um confortável escritório qualquer. Claro que a mensagem é mais eficiente com o público americano, mas não nos impede de refletir, seja sobre a guerra no Iraque ou no Rio de Janeiro.

"Leões e Cordeiros" acompanha uma safra de produções com enfoque no discurso anti-bélico, ocupando um vácuo deixado pela imprensa: a de superego da nação.
Apesar do filme se calcar em diálogos, uma das cenas mais fortes e esclarecedoras é a de Janine em Washington passando de táxi por monumentos em homenagem aos mortos em guerras anteriores e pelo cemitério de Harlington, onde vários soldados estão enterrados. Tudo é uma grande repetição, reedição do Vietnã. Tudo será reduzido a pó!