Lisbela e o Prisioneiro é o primeiro filme realmente ideaIizado para o cinema do famoso diretor de televisão Guel Arraes (que já fez TV Pirata e Armação Ilimitada), as duas outras experiências tinham sido O Auto da Compadecida e Caramurú - A Invenção do Brasil, especiais que a Globo exibiu e que foram apenas retocadas para serem passadas na telona. O roteiro é uma adaptação de peça de mesmo nome escrita por Osman Lins e roteirizada a 3 mãos por Jorge Furtado (responsável por O Homem que Copiava), Pedro Cardoso e pelo próprio cineasta. A peça foi um sucesso que correu o Brasil e Guel aproveitou quase o mesmo elenco, acrescentando os globais Selton Mello e Débora Falabella como o par central. Leléu é um trambiqueiro que pula de cidade em cidade aplicando os mais variados golpes e namora todas as garotas bonitas que conseguir. A sua situação se complica quando tem uma caso com Inaura (Virginia Cavendish), casada com Frederico Evandro (Marco Nanini) matador de profissão e que quer ver a caveira de Leléu quando descobre que está sendo traído. Lisbela é uma romântica garota que adora cinema e não perde um só capítulo, até o surgimento da TV, eram famosas as séries americanas mostradas em várias partes. Ela está prestes a se casar com Douglas (Bruno Garcia) que passou um mês no Rio de Janeiro e já se considera nativo daquela cidade, forçando um sotaque muito engraçado. Os protagonistas se encontram quando ele faz uma apresentação de "Monga - A Mulher Gorila" e evidentemente se apaixonam. As confusões a partir daí aumentam cada vez mais. Esta é uma comédia romântica feita simplesmente para entreter, Arraes diz que está interessado em fazer o que chama de Cinema Popular Brasileiro, ou seja, filmes que agradem principalmente aos telespectadores de novelas, a sua preocupação é tanta que esta foi a primeira produção brasileira que teve exibições-teste para avaliar a receptividade do público, que foi aprovada por 80 por cento das pessoas. O elenco de apoio é muito simpático, como André Mattos o pai delegado da mocinha e Tadeu Mello como o Cabo Citonho (ele faz aquele baixinho de voz anasalada em A Turma do Didi) quando ele aparece na tela as pessoas riem antecipadamente mesmo que a cena não seja cômica. Muitas vezes temos a sensação de estarmos assistindo um especial da TV Globo, Arraes não perdeu alguns de seus maneirismos, típicos da telinha, como o excesso de closes. Cinema tem outra linguagem, como planos mais abertos. A produção (que é de Paula Lavigne e custou R$4,5 milhões) caprichou no visual kitsh, dando uma charme todo especial ao que é chamado pelos realizadores de nordeste pop, como camelôs cheio de bugigangas coloridas penduradas. parques de diversões com muitas luzes piscando, botecos e frases de caminhão (esta é ótima: 80 ção, 20 ver....). A trilha sonora é das melhores que já apareceu um um filme nacional ultimamente. Los Hermanos canta música com nome da protagonista, Sepultura faz parceria com Zé Ramalho e Elza Soares interpreta Espumas ao Vento como se fosse um Flamenco. Todo esta miscelêna de estilos ficou simplesmente irresistível. Lisbela e o Prisineiro é um bom exemplo de produção leve e ingênua sem ser tonta.
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