Vik Muniz é um artista plástico brasileiro conceituado no exterior. Seus trabalhos utilizam objetos para configurar suas fotografias. Adentrou as casas dos brasileiros com a abertura da novela Passione, realizada com Hans Donner e alunos da ONG Spetaculu. Em Lixo Extraordinário, os espectadores acompanham o artista realizando um trabalho com catadores de materiais recicláveis do Aterro de Jardim Gramacho em Duque de Caxias (RJ), o maior da América Latina e que será fechado em 2012. O longa foi premiado em Sundance e Berlim.
O documentário acompanha Vik conhecendo o lixão e suas possibilidades. Lá ele conhece os catadores e suas histórias; escolhe os modelos e tira suas fotos. Em uma segunda etapa, ele realiza a transposição das fotos através dos materiais recolhidos por eles mesmos. Livre de demagogias, o trabalho que Vik realiza no local tem um desdobramento do que a arte é capaz de realizar com pessoas sem perspectivas de vida. Mudanças reais aconteceram na vida das pessoas que se envolveram no projeto, como uma das mulheres que largou o marido porque se deu conta de que era muito pra ele – o marido maltratava e explorava a mulher.
O primeiro contato que ele tem com eles é o de conhecê-los, neste primeiro momento em que os espectadores conhecem suas história e trabalho; os catadores mostram que têm mais consciência sócio ambiental do que os moradores de Leblon e Barra. Em seus relatos eles mostram o quanto é perdido nos lixos e como as pessoas desperdiçam suas coisas. A conscientização de preservação do meio ambiente deles se vale da seleção de materiais que são enviados para a sua associação. É um trabalho regularizado por eles mesmos e muito bem administrado. E o pior de tudo: pessoas jogam livros no lixo. Eles mesmos acham os livros, um deles relatou que já leu O Príncipe de Maquiavel , Código DaVinci entre muitos outros. O que faz um ser humano jogar no lixo um Maquiavel? O lado Poliana da história é que Maquiavel e muitos outros escritores, foram bem aproveitado por eles, que lêem as preciosidades jogadas fora.
Mostra que depois de realizada as fotografias e transposições para o lixão; teve um poder transformador na vida deles, e os fizeram pensar diferente e ver que no final de tudo: tudo é arte. Com o projeto, os catadores aumentaram suas visões sobre a vida e realizaram mudanças. Ao inseri-los no mundo da arte, eles puderam ver o quanto são poderosos e bonitos. Os produtores se confrontam com um problema, os catadores ao perceberem que podem mais, não querem voltar pro lixão. E parte deste conflito dos produtores, se eles têm ou não responsabilidade sobre esta mudança, e como dar continuidade à ela, já que foi iniciada por eles.
E deixam recados à todos que reclamam de ‘barriga cheia’: a vida é bela, devemos fazer coletas seletivas e tudo pode ser, basta querer. O filme é um dever cívico para os cidadãos entenderem que devemos reciclar e cuidar do lixo que produzimos. Adendo: atenção na trilha sonora composta por Moby, é sensacional, embasada na sensibilidade artística de Moby.