Lope


Sinopse: Depois da guerra, Lope de Vega volta para Madri. Ele resolve escrever peças de teatro, o que é facilitado por seu envolvimento com a filha do dono da companhia teatral. Lope também nutre sentimentos por uma amiga de infância.

A vida do autor Lope de Vega foi tão atribulada que realmente merecia ganhar um filme. A cinebiografia Lope capta as paixões de seu protagonista, mas não tem o mesmo sucesso na hora de transmitir as emoções das cenas para o público.

Tecnicamente impecável, a reconstituição de época é maravilhosa. As direções de arte e fotografia (além do figurino) merecem elogios. A trilha musical também cumpre seu papel, mas não consegue suprir as deficiências do roteiro e da direção. Ambos são burocráticos demais e são os responsáveis pela carga emotiva morna da história.

Apesar de ser uma produção majoritariamente espanhola, a fita é dirigida pelo brasileiro Andrucha Waddington (Casa de Areia). Ele estudou a fundo a vida e a obra de Lope da Vega, o Shakespeare espanhol. Mesmo assim, escolher um estrangeiro para dirigir a cinebiografia de uma figura tão importante foi uma opção arriscada.

As escolhas perigosas não ficam apenas atrás das câmeras. Para viver o personagem-título foi escalado o argentino Alberto Ammann. Como conheço muito pouco do idioma espanhol, não posso avaliar o quanto ele foi capaz de mascarar o sotaque portenho. Mesmo que tenha sido bem-sucedido, ele precisaria ser um ator inigualável (ou muito famoso para atrair público) para justificar a escolha. O ator traz bons momentos, mas um ator espanhol poderia fazer um trabalho semelhante que economizasse polêmicas.

 

Nota:

Crítica por: Edu Fernandes (CineDude)