O longa canadense Eu Matei Minha Mãe (J’ai tué ma mère, 2009), primeiro do jovem diretor Xavier Dolan, que aos 20 anos escreveu, produziu, atuou e dirigiu a película, relata a complicada relação entre mãe e filho. Um filme semi-autobiográfico e intenso, narra não só os desentendimentos com sua progenitora como também detalhes de sua homossexualidade, de uma relação maternal com sua professora e os dilemas de um colégio interno.
Hubert, interpretado pelo próprio Dolan, é um garoto de 16 anos o qual desaprova todas as aitudes da mãe, Chantale (Anne Dorval). Desde o jeito de se vestir ao comportamento e manias. Com ápices de ódio, e de amor, as cenas e diálogos apresentam ora desprezo, ora demasiado afeto. Fato que, quando acontece, surpreeende e mobiliza. Chantale, que o criou sozinho desde que completara 7 anos, tem gênio difícil e, muitas vezes, mostra-se relapsa e desatenta aos problemas do filho, o que fica mais claro no momento em que a descoberta da homossexualidade do garoto acontece por meio de terceiros.
O filme foca nas dificuldades da convivência entre pais e filhos, além de expor a homossexualidade do protagonista. As cenas ilustram os métodos de manejar e culpar, ambos usados por mãe e filho a fim de tentarem conseguir o que almejam. A casa na qual o adolescente vive com a mãe está sempre escura, em contraponto da clareza existente na de seu namorado, Antonin (François Arnaud), que é filho de uma mulher liberal e sempre de bem com a vida. Amante da arte, dá forças as vontades e gostos do casal e enfrenta a sexualidade com naturalidade.

Um dos pontos fortes da filmagem são os constantes closes, a câmera busca captar de perto as expressões dos atores, o que torna a história ainda mais intimista e sensível. Os personagens são expostos de maneira profunda, o que é nítido nos inúmeros desabafos que Hubert faz com uma câmera em mãos dentro do banheiro, uma espécie de válvula de escape de seus sentimentos. Sempre em preto e branco, tais cenas são um off do garoto, sendo assim, uma possibilidade de que o espectador possa entrar em contato com os seus pensamentos.
Lembranças e momentos em que se imagina tendo explosões raivosas e violentas também são mostrados por meio de uma câmera lenta, que, por vezes, chega a ser incômoda. O auge está, entretanto, nos textos de desabafo que são escritos, como se fossem digitados, na tela.
Com trilha sonora muito bem escolhida e ainda que bem elaborado, o enredo torna-se, algumas vezes, arrastado e desgastante. O término destoa do restante da história, que não se mostra óbvia ou padronizada, por tender ao final feliz, o tudo resolvido, aquele que satifaz.