Mentiras Sinceras, filme de estreia na direção do ator e roteirista Julian Fellowes (ganhador do Oscar em 2002 pelo roteiro de Assassinato em Gosford Park) tem o mérito de fugir do maniqueísmo. Ou seja, ao retratar como o casamento aparentemente perfeito dos abastados James e Anne Manning (respectivamente Tom Wilkinson, de Entre Quatro Paredes, e Emily Watson de Hilary & Jackie) se desintegra ao mesmo tempo em que algumas mentiras são descobertas, o roteiro não se rende à saída fácil de apontar vítimas e culpados. O que se vê na tela são pessoas nem boas nem ruins, fazendo escolhas que geram conseqüências inesperadas. No caso, o casamento dos Manning começa a desmoronar após o marido da faxineira da casa ser atropelado e morto nas imediações. Ao mesmo tempo em que começa a investigar por conta própria o caso e a suspeitar do vizinho Bill Bule (Rupert Everett, de O Casamento do Meu Melhor Amigo), James descobrirá em sua vida conjugal imperfeições até então nunca imaginadas. 
Baseado no romance do escritor Nigel Balchin, Mentiras Sinceras é defendido corretamente pelo diretor Fellowes como um labirinto moral, sendo uma daquelas histórias onde nunca se tem muita certeza de qual lado ficar. Além disso, a fita brilha e ganha bons momentos de tensão nas investigações do tal atropelamento e das implicações por trás dele. O ponto fraco, porém, fica para a meia hora final um tanta longa e cansativa, desnecessária após o nó da trama ter sido desfeito. Se há falta de ritmo no final, a falha é de certa forma compensada ao longo da fita pela belíssima fotografia do duas vezes indicado ao Oscar Tony Pierce-Roberts, que retrata as fabulosas casas de campo em Buckinghamshire, região do interior da Inglaterra, e pelas as atuações sinceras de Wilkinson, de Watson e de Linda Basset (de As Garotas do Calendário), como a devotada faxineira Maggie. |