Lembra quando Sylvester Stallone gravou no Rio cenas de seu último filme? Pois é, a tal produção finalmente chega às telas. Os Mercenários (The Expendables) vem embalado pelas polêmicas declarações de Stallone (que estrela e dirige o longa, além de assinar o roteiro) sobre o Brasil - aquele falatório sobre nós e os macacos - e a curiosidade em torno da participação da atriz tupiniquim Gisele Itié. Sinceramente, nada disso importa. O filme é, na verdade, uma singela e descerebrada homenagem aos filmes - e aos astros - de ação dos anos 1980.

Liderados por Stallone, o elenco formado por atores cultuados em filmes do tipo 'espreme que sai sangue' é o grande destaque de Os Mercenários. Dolph Lundgren, Mickey Rourke, Jason Statham e Jet Li têm pelo menos uma boa cena em que fazem sua parte e divertem a plateia. O filme conta ainda com as deliciosas participações de Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger na melhor (e antológica) cena do filme, e Eric Roberts, o vilão da vez.
São os atores, e não a história, que valem a pena. Na trama, o grupo de 'mercenários' de Barney Ross (Stallone) é contratado pelo misterioso Sr. Church (Willis) para infiltrar-se em uma ilha latina e assassinar seu ditador (David Zayas, do seriado Dexter). Chegando lá, eles conhecem a rebelde Sandra (Giselle Itié, soletrando para não derrapar no inglês) e descobrem a verdadeira natureza do problema. Barney não quer aceitar o trabalho, mas a preocupação com Sandra faz com que ele mude seus planos.
O resto é aquilo que sempre caracterizou os filmes de Stallone: muita pancadaria, barullho, sangue, suor, tiros, etc e tal. Sly, talvez um pouco menos deformado que Mickey Rourke, não tenta fazer o galã - essa parte fica com Jason Statham que, por sinal, se sai muito bem. Mas, tenho que admitir, o velho Rambo/Rocky ainda sabe fazer mais do mesmo com bastante competência.

Para você que, como eu, cresceu ao som dos bombordeios dos filmes de Stallone nos saudosos anos 1980, Os Mercenários vai ser um prato cheio. O longa é datado, repleto de clichês, mas garante 103 minutos sem ter o que pensar.